RubemAlves

Obituário, para Rubem Alves

“Seu cadáver estava cheio de mundo”, foi o que Rubem Alves escreveu quando da morte de Richard Shaull, seu primeiro grande mestre, de quem me tornei também aprendiz. Recebi ontem a notícia do falecimento do Rubão, como o Zwnglio o chama, aqui, lidando com música nas montanhas das Minas Gerais, estado onde nasceu Rubem Alves. Justo quando tenho pensado muito sobre religião e arte lendo algumas das tantas coisas que escreveu. Sou um dos muitos filhos intelectuais que Rubem Alves concebeu por aí. Não é difícil imaginar o quanto alguém pode nos influenciar apenas escrevendo. 

Fico aqui pensando: do que estará cheio seu cadáver? Ouvi que estava doente. Muito doente. Coisa da vida. Ouvi que reclamava muito dos limites da idade. Coisa da vida também. Ouvi que tivera de parar de escrever por causa da doença. Coisa sofrida da vida para quem acima de tudo foi um escritor. De coisas da vida certamente seu cadáver está prenhe…

Mas não apenas destas coisas últimas, ou penúltimas. Também de tantas pessoas e lugares. De poesia e música. De árvores, de pássaros e seus cantos. De cheiros e sabores. De imagens, impressões e ideias, muitas ideias, livres, incontidas, rebeldes, soltas à sorte, independentes, a ponto de me alcançar…

Para mim, seu cadáver, Rubão, está cheio de horizonte.

É isso. E por isso se abre. E desdobra. E permanece.

O Rubem que nos ensinou que o corpo é lugar do sonho, atinge agora o pico da montanha, onde se chega com algum cansaço, é claro. Mas a subida vale a pena. E o corpo se transcende, e vira horizonte, e vira poesia, e vira música, e vira dança…

E nele rimos e choramos. E queremos mais.

E eu aqui, sonhando no horizonte das Gerais, com o filho que vem, com a vida que renasce, transcendido, rio e choro contigo, Rubem.
Mas deixa eu ir ali ajudar, que caiu a cerveja da geladeira ao abrirem a porta. Pequena coisa da vida cotidiana.
Seguimos nos encontrando. Até logo mais.

Arnaldo E. Huff Jr.
Em São João Nepomuceno, 20 de julho de 2014
theologiapublica

“THEOLOGIAPUBLICA”

Oferecemos aos leitores desta coluna o texto abaixo, do filósofo italiano Giorgio Agamben, comentando um fragmento da extensa obra de Walter Benjamin sobre a natureza religiosa do capitalismo. Este texto foi publicado por ECUPRES – Agência de notícias argentina “Prensa Ecuménica” – em 13 de fevereiro de 2014, sob o número de registro SN 0399/14. A versão em português foi feita da publicação em espanhol sob licença de ECUPRES.

selokoinonia

KOINONIA – 20 Anos de Comunhão para o Testemunho e o Serviço

Iniciamos um novo ano celebrando o 20º aniversário de organização de nossa entidade. No fechamento desta segunda década de serviços prestados fomos surpreendidos com uma maquinação político-eleitoreira que colocou sob suspeição a correção dos procedimentos para a obtenção de fundos públicos para o financiamento de algumas das atividades de KOINONIA junto a órgãos federais. A denúncia da maneira como foi feita, sem levar em conta todo o processo de aprovação de um projeto exitoso de KOINONIA, junto ao Ministério da Saúde não só ofendeu a honorabilidade do então Ministro da pasta, como feriu fundamente a honra de nosso companheiro e membro da Assembléia Geral de nossa entidade, Anivaldo Padilha, pai do então Ministro da Saúde, assim como a honestidade de propósitos e a credibilidade de KOINONIA.

Protestando contra esta forma aleivosa de se fazer política, infelizmente, ainda presente entre nós, trazemos aqui, nesta coluna de Theologia pública, uma leitura a partir de um marco teológico de como entendemos o que significa a atuação de KOINONIA no contexto da sociedade brasileira.

feliciano

‘Caso Marco Feliciano’: um paradigma na relação religião-mídia-política no Brasil

Temos a satisfação de oferecer aos leitores e leitoras desta coluna uma análise socio-teológica contundente das relações entre evangélicos, mídia e política em nosso país tendo como ponto de partida os conflitos produzidos pela escolha do deputado federal e pastor neo-pentecostal Marco Feliciano como presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara de Deputados.

ipu

Sobre a Igreja Evangélica, o deputado Marco Feliciano, a Comissão de Direitos Humanos e Minorias e a democracia brasileira

Transcrevemos nesta edição de Theologia Publica o Pronunciamento do Conselho Coordenador da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil acerca dos acontecimentos gerados pela ocupação da presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara de Deputados pelo deputado Marco Feliciano. Mais do que prender-se à contravertida personalidade do deputado-pastor, este pronunciamento se ocupa em delinear as dimensões públicas da posição teológico-política desta igreja, desde seu surgimento, como instituição eclesiástica no campo religioso brasileiro. Ao mesmo tempo em que defende a laicidade do Estado brasileiro condena, de forma contundente, a manipulação do sentimento religioso, por parte de certos grupos ditos “evangélicos” e a pretensa e auto-outorgada representatividade do segmento de fiéis cristãos não-católicos por parte de um grupo de deputados.

umaproposta

Teologia Pública – Uma Proposta

É lugar comum, para a maioria das pessoas, que Teologia é assunto restrito ao mundo eclesiástico e que, neste, é tratada de forma hermética por certos indivíduos especializados conhecidos como teólogos. Em círculos mais intelectualizados persiste ainda, infelizmente, esta mesma concepção, muito embora se lhe reconheça uma dimensão acadêmica que a remete para o âmbito da reflexão vizinho da filosofia. Esta visão simplista e limitadora do papel e do significado da Teologia, continua vigente apesar de sua notória incidência no espaço público de muitas sociedades mundo afora e, de modo particular na América Latina e no Brasil., principalmente a partir da segunda metade do século passado.