boas festas 2020

Retrospectiva 2020: ano que nos desafiou, mas não nos impediu!

 

2020 entrou para a história como o ano em que o mundo parou por causa da pandemia de coronavírus, e com isso, inúmeras adaptações foram impostas às organizações sociais.

Planos, projetos e ações previamente organizadas foram adaptadas para o “novo normal”, e ações oriundas da nova realidade tiveram que ser incorporadas nas frentes de trabalho.

Em uma nova realidade, Koinonia Presença Ecumênica e Serviço permaneceu na atuação a partir do ecumenismo e do diálogo inter-religioso, no combate às intolerâncias e opressões impostas pela conjuntura, que mesmo em meio a pandemia não deram trégua.

Permanecemos na luta pelos direitos das mulheres e promovendo o debate sobre as questões da comunidade LGBTQIA+. Da mesma forma, seguimos fortemente junto às comunidades negras tradicionais, possibilitando, inclusive, conexões de solidariedade em um momento em que fragilidades sistêmicas, econômicas e sanitárias impuseram tantas necessidades básicas.

Após estes quase 365 dias de 2020 nos sentimos orgulhosas/os do trabalho que conseguimos fazer até aqui, e compartilhamos uma breve retrospectiva de nossas ações, com o desejo de que o próximo ano nos possibilite fazer ainda mais do que fizemos e fazemos. Desejamos um 2021 com mais esperança para os povos latino-americanos, e claro, muita organização de nossas lutas populares e agendas contra os fundamentalismos.

Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso

Semana de afirmação da liberdade religiosa 2020

Janeiro é um mês de luta para KOINONIA, temos o dia 21, Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, e assim, começamos o ano com ações que visam combater a intolerância e celebrar os 20 anos de Memória Ancestral de Mãe Gilda, Ialorixá do Ilê Axé Abassá de Ogum, que inspirou a criação desta data. No ano de 2000, Mãe Gilda enfartou após sucessivos ataques contra seus filhos de santo, provocados pelo racismo religioso. As celebrações do marco contaram com atividades em várias partes do país.

Confira a semana de afirmação da liberdade religiosa 2020 de KOINONIA

No Rio de Janeiro, KOINONIA participou do III Seminário Sobre Liberdade Religiosa, Democracia e Direitos Humanos. Participou também da vigília Inter-religiosa, realizada na Cinelândia, evento que teve a participação de líderes e pessoas leigas de várias religiões, com ou sem religião.

Em Salvador a agenda foi intensa. Começando com a homenagem no busto de Mãe Gilda, localizado na Lagoa do Abaeté, bairro de Itapuã. O evento contou com a participação de lideranças religiosas do candomblé, umbanda, cristãs entre outros segmentos. Posteriormente houve uma roda de conversa para debater o tema, realizada no terreiro Ilê Axé Abassá de Ogum em que KOINONIA teve participação. Houve ainda um debate e uma Missa na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e uma roda de conversa sobre Racismo Religioso, realizada no Espaço Cultural Vovó Conceição.

Já em São Paulo aconteceu o Ato histórico de Celebração Inter-religiosa na Igreja Betesda de São Paulo. KOINONIA esteve a frente da organização do ato, e a igreja que é conhecida no mundo evangélico pela liderança de Ricardo Gondim abriu as portas pela primeira vez para um ato como este. Lideranças religiosas e não religiosas, pessoas das mais diversas tradições estiveram reunidas para demarcar a importância da data do 21 de janeiro.

Evento de encerramento de Christian Aid no Brasil

Em março, pouco antes do início da quarentena, ainda em uma realidade que permitia aglomerações, participamos do evento que marcou o encerramento das atividades da parceira Christian Aid no escritório do Brasil. Foram anos de parcerias e projetos em conjunto, encontros ecumênicos compartilhados e uma história na busca por um mundo mais justo e igualitário.

Também em março, houve a participação no encontro que discutiu o papel das comunidades cristãs no cenário político. O encontro foi realizado na ICM São Paulo – Igreja da Comunidade Metropolitana de São Paulo.

Parceria MAB e KOINONIA na ajuda emergencial da ACT Aliança

Já em meio à pandemia, KOINONIA iniciou o projeto de ajuda emergencial da ACT Aliança, representando o Fórum Ecumênico ACT Brasil. O projeto realizado nas periferias de São Paulo com nosso parceiro local MAB – Movimento de Atingidos por Barragens, teve como objetivo ações de solidariedade por meio de cestas básicas e assessoria do MAB à famílias atingidas por enchentes recorrentes. Foram doadas 2 mil cestas com alimentos e artigos de higiene e limpeza, distribuídas para famílias de São Paulo e Baixada Santista.

Publicação debate Fundamentalismos e crise na América Latina

Também publicamos o livro “Fundamentalismos, Crise na Democracia e Ameaça aos Direitos Humanos na América do Sul”, de autoria da jornalista, doutora em Ciências da Comunicação e associada de KOINONIA, Magali Cunha. A obra é fruto de uma pesquisa que investiga os processos e dinâmicas dos fundamentalismos na Argentina, Brasil, Colômbia e Peru. E pode ser baixado gratuitamente.

Fórum Ecumênico ACT Brasil e Fóro Ecuménico Sur

Participamos de encontros e reuniões de articulações com o Fórum Ecumênico ACT Brasil, que realizou seu encontro anual virtualmente; e da consolidação do Foro Ecuménico ACT Sur que chega para fortalecer as relações ecumênicas na região. Foram notas, pronunciamentos, e ações de incidência virtual para juntas/os pressionarmos os atores da conjuntura que promovem as políticas de morte e aniquilação dos nossos povos.

EAPPI Brasil na defesa do povo palestino

Nos somamos à Campanha Não à Anexação, junto a organizações ecumênicas e igrejas que enviam voluntários para servirem como Acompanhantes Ecumênicos (EAs) na Palestina e Israel no Programa Ecumênico de Acompanhamento, o qual coordenamos aqui no Brasil, para posicionarmos contra a anexação unilateral de terras palestinas ao Estado de Israel.

Diálogos Ecumênicos Pela Amazônia

Também estamos lançando o portal Diálogos Ecumênicos Pela Amazônia, em português, inglês e espanhol, fruto de um projeto que leva o mesmo nome, coordenado em parceria com o Centro Regional Ecuménico de Asesoría y Servicio  – CREAS, visando o fortalecimento de iniciativas ecumênicas e inter-religiosas pela dignidade dos territórios amazônicos no Brasil, Bolívia, Colômbia e Peru. Por meio de análises compartilhadas e ações conjuntas, para promover a defesa da Casa Comum em parceria com movimentos sociais, organizações indígenas e quilombolas; bem como denunciar as violações de direitos e ameaças sofridas por comunidades tradicionais no controle sobre a terra e seus bens comuns.

Direitos das Mulheres e Comunidade LGBTQIA+

FEACT Brasil e justiça de gênero

Em países profundamente desiguais como o Brasil, períodos de quarentena deflagram outras realidades — violações de direitos ainda mais aviltantes no acesso à terra, território, moradia, trabalho, saneamento básico, comunicação e segurança alimentar por parte de populações vulnerabilizadas. A violência de gênero é uma delas. A diaconia ecumênica com justiça de gênero alerta as organizações baseadas da fé sobre a urgência de pensar ações que reduzam o sofrimento de mulheres, crianças, adolescentes, pessoas idosas e LGBTQI+ forçadas a viver diuturnamente na presença de seus agressores. Neste sentido o Fórum Ecumênico ACT Brasil sistematizou algumas experiências no enfrentamento à violência, emergência e ajuda humanitária.

KOINONIA e Evangélicas Pela Igualdade de Gênero

Este ano também fortalecemos a parceria com o coletivo Evangélicas pela Igualdade de Gênero, realizando na Igreja Metodista na Luz a roda de diálogo inter-religioso em virtude do 8 de MarçoTeologia é Coisa de (Toda) Mulher”, tema que norteou as atividades conjuntas ao longo do ano, sobretudo com o Curso online e Campanha de Escuta Ativa e Empática: “Mulher, vai tudo bem contigo?”. Foram lives, postagens e até uma Formatura do curso e lançamento da cartilha de Formação, que marcou o  encerramento dos 21 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres e o dia Internacional dos Direitos Humanos.

Fluxo Solidário

KOINONIA também foi parceria da iniciativa coletiva Fluxo Solidário, que consistia na montagem e entrega de kits com absorventes e itens de prevenção sexual para mulheres e pessoas que menstruam.

Juventudes, Sexualidade e Direitos Humanos – Prevenidas!

Prevenidas! Esse foi o nome dado ao projeto que trata de juventude, sexualidade e direitos humanos, com foco na prevenção ao HIV e Outras ISTs. O lançamento aconteceu no dia 20 de fevereiro, quando recebemos em São Paulo um grupo de referência em assuntos ligados à prevenção, direitos humanos e acesso à saúde.

O projeto é conveniado com a Coordenadoria de IST/Aids da Cidade de São Paulo, ao longo do ano promoveu a Formação em Direitos Humanos e Prevenção ao HIV e outras ISTs, em que foram debatidos diversos assuntos sobre o tema. Além disso, produzimos em nossas redes sociais postagens informativas sobre prevenção, além de lives e podcast que tiveram o intuito de orientar e combater o preconceito e a desinformação.

Julho das Pretas

O mês de julho também foi recheado de atividades, com o Julho das Pretas, em que chamamos parcerias de Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo trazendo mensagens de força, resiliência e resistência, celebrando as mulheres negras de nosso país e América Latina. Foram séries de vídeos e encontros online trazendo temas como racismos, direitos das mulheres, e a potência do afeto enquanto revolução para o povo preto. Também celebramos junto às nossas companheiras, os 8 anos da Rede de Mulheres Negras da Bahia. Além disso lançamos a edição nº 41 do informativo Fala Egbé, com textos reflexivos e matérias sobre o eixo que atua no direito das mulheres e comunidades negras tradicionais.

Comunidades Negras Tradicionais

Fala Egbé – informativo dos territórios negros

Com as comunidades negras tradicionais do Baixo Sul da Bahia, inovamos ao construirmos o projeto de podcast do Fala Egbé, programa em áudio que procuramos trazer para este formato as experiências de mulheres e pessoas das comunidades negras tradicionais. Em 4 programas, as mulheres falaram sobre saberes ancestrais, política, territórios negros, identidade e racismo , além de comentarem temas que circundam o dia a dia delas e da sociedade como um todo.

Como citamos no item anterior, na nova edição do informativo Fala Egbé nº 41, jornal digital, abordamos os eventos ocorridos em memória dos 20 anos de morte de Mãe Gilda, falamos sobre as experiências das comunidades quilombolas no combate à COVID-19, refletimos sobre o conceito de Territórios Negros e também homenageamos Seu Antônio Correia dos Santos, liderança quilombola da Comunidade do Barroso, assassinado recentemente por defender o direito à terra na região do Baixo Sul da Bahia.

Solidariedade em tempos de pandemia

A solidariedade é uma realidade na vida das comunidades negras tradicionais. Tanto entre as comunidades do Baixo Sul da Bahia ou os terreiros de candomblé com os quais trabalhamos em Salvador, não faltaram mobilizações para atender famílias em situação de vulnerabilidade neste contexto difícil.

Documentário da Feira Agroecológica de Mulheres do Baixo Sul Contra a Violência

Devido à pandemia, em 2020 não foi possível a realização da Feira Agroecológica de Mulheres do Baixo Sul Contra a Violência, que completou 9 anos. Para marcar a data e a importância da atividade, lançamos um documentário sobre a feira, o qual resgatou as histórias que tecem os fios da importante construção coletiva que a feira se tornou na vida das mulheres. É um documentário que teve aspectos muito especiais, pois foi pensado junto às mulheres, que participaram enviando suas lembranças, fotos, vídeos, artes, registros do que a feira significa para elas.

Fôlego para 2021!

Além de projetos específicos, foram lives, reuniões online, gravações e muitas experimentações de nos mantermos ativas/os e em conexão com movimentos e organizações parceiras no Brasil e internacionalmente também.

Fomos desafiadas/os a resistir em todos os aspectos. E Nosso desejo é que em 2021 os ventos de justiça soprem mais fortes e tragam vacinas, saúde, afeto e mais justiça e menos fundamentalismos. Seguimos!

 

Por Natália Blanco e Luciana Faustine/ KOINONIA

divulgaçao horizontal cartilha

KOINONIA e EIG realizam formatura e lançamento da cartilha da Formação em Escuta Ativa e Empática

 

Marcando o encerramento dos 21 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres e o dia Internacional dos Direitos Humanos, no último dia 10 de dezembro realizamos uma celebração online de formatura com as mulheres/pessoas que participaram do Curso de Formação em Escuta Ativa e Empática “Mulher, vai tudo bem contigo?”.

Fruto de um processo de construção coletiva, entre KOINONIA e Evangélicas Pela Igualdade de Gênero, o curso e campanha de mesmo nome tiveram sua primeira edição entre julho e agosto deste ano.  E os planos de parceria entre EIG e KOINONIA é que em 2021 aconteçam novas edições da formação

O evento também teve o caráter simbólico de reafirmar nosso compromisso na luta pela igualdade e justiça de gênero, pelo fim das violências contra as mulheres no Brasil e no mundo; sobretudo em tempos de pandemia, em que os índices de violência contra as mulheres bateu recordes em todo o país.

Durante o encontro, escutamos falas de duas participantes representando as formandas. Para Maria Mariana, evangélica do Paraná, “é uma felicidade ter participado do curso, deste momento… pra mim é um prazer conhecer mulheres tão inspiradoras e de tantos lugares diferentes!”.

A baiana e católica Marli completa, “que vocês continue inspirando as boas novas em vossos corações, para que mais projetos como esse possam surgir, e que possamos ter mulheres mais fortes e preparadas para enfrentar esse mundo tenebroso com desassombro, com garra e Fé.” Marli antes mesmo de anunciarmos a sistematização do curso através da Cartilha, teve o cuidado em imprimir todos os textos utilizados no curso de forma independente, encadernado as páginas e lavado até a paróquia onde comunga para mostrar a seu padre e se colocar a disposição para ser uma multiplicadora em sua comunidade.

LANÇAMENTO DA CARTILHA DE ESCUTA ATIVA E EMPÁTICA

E por fim, a celebração também marcou o lançamento da Cartilha, com todos os conteúdos do curso sistematizados e também indicações onde as pessoas podem encontrar os materiais produzimos pela campanha, como cards/ imagens e vídeos.

A cartilha está disponível gratuitamente, clique aqui para acessar.

Acesse os vídeos usados na campanha clicando aqui.

Acesse os cards utilizados na campanha clicando aqui.

Por Natália Blanco/ Koinonia

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Fluxo solidário e KOINONIA entregam recomendação ao CNDH sobre a pobreza menstrual

Por Alexandre Pupo/ KOINONIA

No último dia 02 de dezembro, KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço recebeu em São Paulo o presidente do Conselho Nacional dos Direitos Humanos – CNDH, Renan Sotto e o vice-presidente Leonardo Pinho. Eles receberam de Vivi Mendes, do coletivo Fluxo Solidário, uma recomendação ao CNDH sobre a pobreza menstrual. O Fluxo Solidário é um coletivo que surgiu da militância de um grupo de mulheres que se organizam para lutar contra a pobreza menstrual, e que tem sido apoiado por KOINONIA.

Pobreza menstrual se refere à falta de acesso que pessoas em situação de vulnerabilidade social enfrentam durante sua menstruação. Essa vulnerabilidade está associada a condições de higiene, saneamento básico e em larga medida ao acesso a absorventes.

No Brasil, estima-se que 23% das jovens entre 15 e 17 anos não tem dinheiro para comprar absorventes. Enquanto pastas de dente e papel higiênico são corretamente isentos de impostos, absorventes têm em média 1/3 de seu valor composto por tributos. A falta destes utensílios faz com que soluções inadequadas e arriscadas do ponto de vista de saúde se tornem a única saída para diversas pessoas durante o seu fluxo menstrual. Saco plástico, panos velhos, papelão, miolo de pão são algumas das alternativas recorridas na vulnerabilidade.

Mulheres encarceradas, em situação de prostituição e de rua ou em extrema pobreza, pessoas ovariadas em vulnerabilidade enfrentam cotidianamente as angústias e perigos da falta de absorventes. A pandemia tem escancarado as desigualdades múltiplas existentes na sociedade brasileira. A pobreza menstrual é uma face da desigualdade profunda de gênero que enfrentamos e que se acentuou diante do crescimento da miséria e da escassez por conta da crise atual e da pandemia.

Mães não devem ter que escolher entre comprar absorventes ou comidas. Presas não devem ser submetidas a situações de insalubridade por falhas do Estado. Pessoas em situação de rua devem poder acessar itens básicos de higiene.

Um fenômeno biológico e natural que acompanha mais de 50% da população brasileira durante anos de suas vidas, não pode ser visto como um tabu. Refletir sobre a construção de estigmas em torno da menstruação contribui para a defesa dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres.

Através de uma arrecadação online, o Fluxo Solidário recebeu mais de R$40.000,00 em doações e montou kits de higiene que foram distribuídos através de organizações parceiras e movimentos sociais que já trabalham com pessoas que menstruam e que estão situação de vulnerabilidade social, como a casa de acolhida LGBT Casa 1, na Reserva Indígena Tekoa Pyau no Pico do Jaraguá, a pastoral do Povo de Rua junto ao Padre Julio Lancelotti, a cooperativa da catadoras e catadores COOPAMARE e o Movimento dos Atingidos por Barragens. Onde é possível, a entrega é feita junto com uma palestra e roda de conversa com profissionais da saúde que orientam e trocam informações com as mulheres sobre saúde menstrual.

A ação junto ao CNDH faz parte de uma outra área de atuação do Fluxo Solidário, de incidência pública para mudanças na legislação sobre o tema. Os absorventes são considerados bens supérfluos pela legislação tributária, o que faz com que tenha um peso alto dos impostos no preço final desse produto essencial para todas as pessoas que menstruam. A luta política do Fluxo Solidário gira em torno de duas propostas: a isenção tributária e a distribuição gratuita de absorventes nas UBS’s e escolas.

Siga no instagram: @fluxosolidário

aula 2.2

Dezembro Vermelho: Juventudes, Sexualidade e Direitos Humanos na enfrentamento a epidemia do HIV

01 de dezembro é o Dia Mundial da Luta Contra a AIDS. A data marca o início do dezembro vermelho, mês que tem como objetivo chamar a atenção para as medidas de prevenção, assistência, proteção e promoção dos direitos das pessoas infectadas com o HIV.

Nos últimos dez anos os novos casos de pessoas infectadas com o HIV na América Latina tiveram um aumento de 20%, passando de 100.000 em 2010 para 120.000 em 2019, é o que mostra o levantamento da OPAS (Organização Pan-americana da Saúde).

A pesquisa mostra ainda que a epidemia atinge majoritariamente homens homossexuais, mulheres trans e profissionais do sexo, representando cerca de 50% das novas infecções.

Na cidade de São Paulo temos dados mais esperançosos, segundo o boletim divulgado pela Coordenadoria de IST/Aids de São Paulo, pela primeira vez na história da cidade de São Paulo, os novos casos de HIV caem por três anos seguidos. “Em 2019, foram 2.946 novos registros, 11,7% a menos do que no ano anterior (3.340). Se a comparação for com 2017, a diminuição chega quase aos 25% (3.889 casos).  As notificações da aids também têm diminuído, com decréscimo ininterrupto desde 2015. Entre 2018 e 2019, a queda foi de mais de 20% (2.033 novos casos para 1.623) e de 30% entre 2015 e 2019 (2.421 para 1.623)” segundo costa na comunicação da Coordenadoria.

O estigma em torno do HIV e da AIDS é um dos maiores entraves na luta contra o vírus, pois o preconceito e falta de acesso a informação faz com que centenas de pessoas desconheçam a sua sorologia. Isso se agrava ainda mais quando, de alguma forma, tem a presença da religião enquanto instituição que dita regras.

Fortalecendo os laços para a construção de pontes de conhecimento

Clique e escute o podcast especial do Prevenidas sobre o Dezembro Vermelho

Ao longo das últimas semanas KOINONIA tem realizado o curso de formação “Prevenidas: Formação em Direitos Humanos, Sexualidade e Prevenção ao HIV e outras ISTs”, que visa debater a o univreso das Juventudes nos temas de Prevenção, Sexualidade e Direitos Humanos. O curso faz parte do projeto de mesmo nome, coordenado por KOINONIA em convênio com a Coordenadoria de IST/Aids de São Paulo.

O Curso que era previsto para acontecer presencialmente, precisou passar por adaptações após o início da pandemia da covid-19. Muitos foram os desafios, mas a formação tem acontecido e está dividida em 6 módulos:

  1. Falando sobre sexualidade: cultura, religião e tabus.
  2. Conhecendo o corpo: afetividade, desejos e sexualidade.
  3. Desejos e prazeres: vamos conversar sobre prevenção?
  4. Sexualidade, raça e direitos humanos: uma questão de direitos.
  5. A saúde como direito: por que defender o SUS?
  6. Pensando a nossa prática nos territórios digitais.

Ramiro Felipe, pessoa trans não binária, 25 anos e graduando em psicologia, afirma que sua experiência na formação tem sido maravilhosa, “sobretudo pela troca com as pessoas”, diz.

“Do meu circulo de amigos eu não conheço ninguém que seja portador de HIV/AIDS. Quando a gente conversa, troca experiências, a gente vai aprendendo sobre os direitos que resguardam, discussões sobre o tema, forma de prevenção. Quando falamos de prevenção para mim é autocuidado”, conclui.

Embora tenha espiritualidade, Giovana não se considera uma pessoa religiosa. Para ela, é muito importante debater a religião e sexualidade em um curso, algo que ela só vivenciou poucas vezes.

Assim como Ramiro, ela é uma das participantes do curso. Psicóloga e estudiosa no que tange a sexualidade, ela acredita que debater religião e sexualidade é de extrema importância, principalmente pela empatia e o respeito. “Pra muita gente no Brasil a religião é estruturante, faz as pessoas seguirem em frente em muitos momentos. E também em muitos momentos dita algumas regras. E claro, envolve a sexualidade. É um campo de discussão”, explica.

A mais nova integrante do curso, Yasmin Santos imaginou que devido a diferença de idade entre ela e os demais participantes fosse deixa-la sem poder de voz, no entanto, Yasmin conta que não foi isso que aconteceu. “Todo mundo me escuta, todo mundo tem a sua voz”, diz.

Paulo Ricardo elogia e valoriza a pluralidade encontrada no curso. Para ele, o olhar multiformado e abordagem de diferentes eixos como sexualidade, direitos humanos, gênero e raça são fundamentais, sobretudo quando se vive em grandes cidades.

“Essa troca de informações e essa pluralidade de pensamentos é fundamental no contexto de formação de nós indivíduos”, explica.

Além disso, ao longo do ano, fomos produzindo outros conteúdos audiovisuais para estimular o debate proposto pelo projeto. Confira:

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Campanha de enfrentamento à violência com foco em mulheres evangélicas durante a pandemia da covid-19

 

“Mulher, vai tudo bem contigo?”
 
Essa é a pergunta que norteia a campanha de enfrentamento à violência contra as mulheres evangélicas nestes tempos de pandemia.
 
Fruto de uma parceria entre o projeto Rede Religiosa de Proteção à Mulher Vítima de Violência de Koinonia Presença Ecumênica e Serviço e as Evangélicas pela Igualdade de Gênero, a campanha surge para colaborar com tantas outras iniciativas de enfrentamento às violências contra as mulheres, que principalmente neste tempo de pandemia tem crescido absurdamente.
 
Quantas mulheres em nossas igrejas têm respondido “está tudo bem” mas na verdade tem vivido situaçãoes em que seus lares estão destruídos, sofrendo humilhações, isolamentos, violências. Há mulheres em nossas igrejas que nem são perguntadas se estão bem ou não, não há interesse ou credibilidade, sofrem caladas.
 
Sendo assim, como você pode contribuir?
É simples:
 
A CAMPANHA É FORMADA PELOS SEGUINTES MATERIAIS:
 
Compartilhando,
 
– IMAGENS, que vão servir para que as mensagens circulem facilmente;
– VÍDEOS com Comentários bíblicos para que você perceba como a bíblia pode ser instrumento para a opressão OU libertação.
 
MAS NÃO É SÓ ISSO!
 
Vamos oferecer um pequeno CURSO DE FORMAÇÃO DE ESCUTA ATIVDA para você que deseja aprender como acolher as mulheres evangélicas vítimas de violência pela escuta ativa e empática, além de conhecer a rede pública de enfrentamento e como acessá-la.
 
Para você mulher, que deseja participar do curso, inscreva-se no link:
 
 
Nós cremos que tudo pode ser diferente! É preciso transformação no nosso modo de pensar e de agir!
 
 
Sobre o título da campanha:
 
Nós perguntamos “Mulher, vai tudo bem contigo?” porque fomos inspiradas pelo texto bíblico de 2 Reis 4:8-37, que relata sobre uma Mulher que era da cidade de Suném que ofereceu comida e abrigo ao profeta Eliseu. Nós a conhecemos apenas como Mulher Sunamita porque infelizmente o escritor desse texto bíblico não achou que era importante informar seu verdadeiro nome.
 
A Mulher Sunamita era uma mulher forte, determinada, serena, equilibrada. Ao constatar que seu filho estava morto, leva seu corpo até o quarto do profeta, fecha a porta do quarto e vai ao encontro do profeta.
O profeta ao ver a Sunamita, fala para o moço Geazi perguntar: “ Mulher, está tudo bem com você? Tudo bem com seu marido? E com seu filho?” E olha só, a Sunamita responde: “Está tudo bem”.
 
Neste texto bíblico é possível perceber que a Sunamita respondeu que estava tudo bem, mas estava profundamente angustiada! E o profeta percebeu isso.
 
Claro! Seu filho estava morto!
 
Em nosso país, a cada DUAS horas UMA mulher é morta. Por ser mulher. Nosso país ocupa o 5º lugar no ranking MUNDIAL de países mais violentos contra as mulheres.
 
A EIG e Koinonia vão trabalhar intensamente neste próximo mês para que essa campanha alcance o máximo de irmãs, irmãos e igrejas.
Se você também entende que nós, como cristãs e cristãos, temos a responsabilidade de enfrentar TODO TIPO DE VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES, VOCÊ PODE NOS AJUDAR COMPARTILHANDO ESSA CAMPANHA!
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Organizações do Feact-Brasil atuam no fortalecimento da Justiça de Gênero em meio à pandemia da covid 19

Dados da ONU Mulheres apontam que o número de mulheres vítimas de violência está aumentando como resultado da pandemia do novo coronavírus

Coletivo de Comunicação Feact-Brasil

Com vários países adotando as medidas de isolamento social, cerca de quatro bilhões de pessoas agora estão se abrigando em casa contra o contágio global do novo coronavírus. É uma medida protetora, mas que traz outro perigo mortal. Vemos uma pandemia crescente, a da violência contra as mulheres.

Uma em cada três mulheres em todo o mundo já sofreu violência . Os números crescem como resultado da pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2), aponta o relatório “A sombra da pandemia: violência contra mulheres e meninas e Covid-19”. O documento foi divulgado em abril pela ONU Mulheres, entidade da Organização das Nações Unidas para igualdade de gênero e empoderamento.

Em países profundamente desiguais como o Brasil, períodos de quarentena deflagram outras realidades — violações de direitos ainda mais aviltantes no acesso à terra, território, moradia, trabalho, saneamento básico, comunicação e segurança alimentar por parte de populações vulnerabilizadas. A violência de gênero é uma delas.

As mulheres negras estão mais vulneráveis à infecção e aos impactos socioeconômicos da pandemia, visto que elas são a maioria das pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza no Brasil. Mulheres são a maioria trabalhando nas áreas de enfermagem, mulheres são maioria nos trabalhos domésticos, estes, nunca valorizados ou remunerados como deveriam. O racismo e o machismo são vetores de mortes acentuadas pelo cenário da pandemia. Confira a matéria clicando aqui.

Na cidade de São Paulo, houve um aumento no número de prisões em flagrante de violência doméstica — passaram de 177 em fevereiro para 268 em março.

Outro exemplo desse aumento se percebe em Blumenau (SC), onde as ocorrências de violência doméstica subiram 39%. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que houve aumento expressivo de feminicídio dentro de casa em março, em São Paulo (46%), Acre (100%), Rio Grande do Norte (300%) e Mato Grosso (400%). A comparação foi realizada com março de 2019.

A diaconia ecumênica com justiça de gênero alerta as organizações baseadas da fé sobre a urgência de pensar ações que reduzam o sofrimento de mulheres, crianças, adolescentes e pessoas idosas forçadas a viver diuturnamente na presença de seus agressores.

Compartilhamos com vocês algumas ações de enfrentamento à violência de gênero, de emergência e ajuda humanitária por meio deste medium que pode ser acessado em português ou inglês.

Boa navegação!

MEDIUM EM PORTUGUÊS AQUI.

MEDIUM IN ENGLISH HERE.


FEACT Brazil organizations act to strengthen Gender Justice in the midst of the COVID-19 pandemic

Communication from FEACT Brazil

May 8

Data from UN Women suggests that the number of female victims of violence is increasing as a result of the new coronavirus pandemic.

FEACT Brazil Collective Communication

With a number of countries adopting social isolation measures, approximately four billion people are now sheltering at home against the global contagion of the new coronavirus. This is a protective measure, but one that leads to another mortal danger. We are seeing a growing pandemic — violence against women.

One in every three women around the world has experienced violence. These numbers have grown as a result of the new coronavirus (Sars-CoV-2) pandemic, as noted in the report “The Shadow Pandemic — Violence Against Women and Girls and COVID-19”. The document was published in April by UN Women, a United Nations organization for gender equality and the empowerment of women.

In profoundly unequal countries such as Brazil, periods of quarantine reveal other realities — even more appalling violations of the rights of vulnerable populations to access land, territory, housing, work, basic sanitation, communication and food security. Gender violence is one more of these.

Black women are even more vulnerable to infection and to the socio-economic impacts of the pandemic, given that they form the majority of people living below the poverty line in Brazil. Women make up the majority who work in nursing, women make up the majority in domestic work, and are never valued or remunerated as they should be. Racism and sexism are vectors of death accentuated by the pandemic situation.

Click here to check out the report

The city of São Paulo saw an increase in the number of arrests for acts of domestic violence — rising from 177 in February to 268 in March.

Another example of this increase was seen in Blumenau (SC), where the incidence of domestic violence rose by 39%. Data for March 2020 from the Brazilian Forum of Public Security demonstrate a significant increase, compared to March 2019, in femicide within the home in São Paulo (46%), Acre (100%), Rio Grande do Norte (300%) and Mato Grosso (400%).

The ecumenical diakonia for gender justice has warned faith-based organizations about the urgent need to consider actions that reduce the suffering of women, children, adolescents and the elderly forced to live with their aggressors on a daily basis. We would like to share some emergency and humanitarian activities to combat gender violence.

Happy navigating!

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MEDIUM IN ENGLISH HERE.

A Joint Statement: Gender, Faith and COVID-19

0.0.      Introduction

As religious actors and networks of faith-based organizations, we are called to work together for gender equality and justice, amid global changes, rising nationalism, and conflict. We are living in changing global, regional, and national environments. As COVID-19 spreads around our world, countries, communities and individuals face increasing challenges. During the COVID-19 pandemic, many faith actors are at the forefront of the design, delivery, and implementation of a gender sensitive and holistic response based on accurate information. While also practicing social distancing, and adhering to health ministry guidelines. This urgent time calls for responsive action based on love, dignity and justice.

The COVID-19 crisis does not operate in a vacuum and, as a result, COVID-19 increases pre- existing inequalities. Women and girls are experiencing intersecting injustices in political, social and economic spheres.1 Faith in Beijing is a collective of religious actors and networks, who are calling upon governments, faith based actors and civil society, for strong responses to COVID-19 that put gender justice at the centre.

1.0.      Gendered dimensions of COVID-19

 

Governments worldwide have struggled to adequately respond to the crisis. This is a result of decisions made by powerful leaders, which includes decades of underfunding public health services, and the multilateral health system, including the World Health Organization (WHO). For many decades, the WHO has consistently presented robust evidence about the social determinants of health, the need for health to be rooted in all policies, and observed that health cannot be separated from other policy areas. The COVID-19 pandemic shows that strong responses require intersectional approaches, which include protecting women’s rights and gender equality.

Looking at COVID-19 from an intersectional gendered lens, we can see that the various forms of inequality often operate together and exacerbate one another. The big picture is much more complex than is often portrayed by governments. Pre-existing vulnerabilities are exacerbated during a crisis, since social and protective networks are disrupted. Under lockdown policies, many women are forced to stay at homes where they are not safe or secure. They are forced to live

with abusive partners or parents, while services to survivors of gender-based violence are harder to access.2 As the pandemic unfolds, we have witnessed an increase in intimate partner violence and other forms of domestic violence. In some communities around the world, violence against women during the pandemic has been by the security agencies enforcing the lockdown, sometimes using undue force. The COVID-19 response must therefore include strategies to address and prevent Sexual and Gender Based Violence. This work must be conducted in a holistic way, with a multi-sectoral approach so that people’s mental, social and physical needs are addressed. By integrating psychosocial aspects in the approach, the wellbeing, safety and hope among survivors and communities can be strengthened.

As gender injustice persists in our world, the impacts of COVID-19 will be hardest felt by women and girls. Worldwide, many people who are enrolled in health care and the related care economy are women. Occupying positions on the frontline makes women more susceptible to the risk of infection. Many people will lose their livelihoods, as already experienced worldwide with the global lockdown. This impacts the service industry and informal sector, where many women work. The closure of schools will impact girls’ education now and in the long-term, with an increase risk for child marriage and child labour.3

This becomes more acute when we look at the different levels of vulnerability women might be exposed to, such as age, race, ethnicity, class, disability and immigrant status. Since health care systems are immensely pressured during COVID-19, it is important that governments worldwide continue to provide sexual and reproductive health (SRH) services. These services are essential and lifesaving, especially for women and girls, and are now more crucial with heightened risks for women and girls.

 

2.0.      Faith and Gender Sensitive Responses

 Once more we see that religious actors and faith communities can play an important role in the time of an unprecedented crisis. Faith actors are deeply rooted in the communities they serve and as such they are often the first responders. In the face of the COVID 19 pandemic, local faith institutions, religious leaders and other faith-based organizations are responding to the needs of their communities as humanitarian actors as well as leveraging their moral authority to share positive health messaging and guidance, as informed by government health ministries.

Around the globe, millions of people have been placed under lockdown to reduce transmission of the virus and halt rates of infection and death. Isolation associated with lockdowns and

  • Many women are being forced to ‘lockdown’ at home with their abusers at the same time that services to support survivors are being disrupted or made inaccessible. For more information, see: UN Women (2020) COVID-19 and Ending Violence Against Women and Girls: https://www.unwomen.org/-

/media/headquarters/attachments/sections/library/publications/2020/issue-brief-covid-19-and-ending-violence- against-women-and-girls-en.pdf?la=en&vs=5006 [last accessed 15/04/20]

 

quarantines will have an impact on the communities that we work in and to which we belong. Faith communities are social by nature. Religious institutions and religious practices are impacted, as ceremonies that usually bring many of us together are being curtailed. Easter was, and Ramadan will be, marked differently this year, yet continue to be opportunities to give and receive, forgive, forbear and exercise patience.

 

Faith communities have a strong base from which to promote social distancing (to reduce transmission of the virus causing COVID-19), while also practicing solidarity. Service to those most oppressed must continue, albeit in new ways. Many religious leaders hold significant power and trust, sometimes more than the government. Thus, religious institutions can play a vital role in distributing accurate key public health information to their communities. As well as promoting messages of gender justice, challenging stigma and harmful gender norms.

Inter-faith and inter-religious dialogue and collaboration is crucial at these times. Majority religions, with stronger relationships and trust among authorities and state officials, can collaborate with minority religions, who are extra vulnerable in many contexts. Moreover, faith actors and religious institutions with more resources and capacity to respond to this crisis can share knowledge, resources and best practices where possible with other religious communities, traditional leaders and women’s rights organisations. Therefore, faith actors continue to be critical partners in addressing this crisis and in the work to come.

 

 

3.0.      Post COVID-19: A Vision of Gender Justice in Our World

 

We, as religious actors and faith-based networks, are committed to ensuring that gender justice and equality becomes a reality around the world. We believe that Agenda 2030 is critical to ensuring that ‘No One is Left Behind’, and that gender equality is about equal rights for all.

As business as usual is paused, we have the opportunity to reflect upon the brokenness in our world and our economic system. In these spaces, we can begin to imagine a world rooted in equality and justice for all. The COVID-19 pandemic has revealed how globally interconnected we are and how gender injustice reveals itself at an individual and a collective level.

During this crisis, our focus will be on how best we can work together to support religious leaders and faith communities to effectively respond to increasingly challenging circumstances. In particular, our work for gender justice remains important, to ensure a just and sustainable future for all. We will continue to work within and between our faith communities to shape a world that is sustainable and where the human rights of all are respected.

Our commitment to human rights is not an arbitrary cultural or ideological preference; it is rooted in religious convictions. There can be no justice where God-given human rights are violated or where duty bearers fail to discharge their responsibilities. In this vision, we value the work of caring and nurturing within our communities. Let us seek to truly learn from those who already hold the knowledge and wisdom of alternative systems. Let us understand that one knowledge alone will never be complete. Only by truly engaging with one another from a place of humility

and vulnerability, with a willingness to defamiliarize ourselves with current norms that we might see the radical shift towards a justice-centred world. This is necessary for true gender equality, as well as human and planetary flourishing.

 

4.0. Recommendations to Governments, Faith Based Actors and Civil Society

 

In the weeks, months, years and decades ahead, we will continue to work together to advocate to our governments, and within our communities, for an acceleration of action to achieve Agenda 2030. In light of this commitment, we submit the following recommendations in the midst of COVID-19 response and beyond.

A Collective Call to Governments

 

  1. We advocate that all responses involve faith actors, and ensure coordination and meaningful partnerships between faith, traditional and secular actors. Faith actors are key in reaching communities both with essential information, providing service to vulnerable groups and promoting behaviour change and challenging harmful norms, stereotypes and

 

  1. We advocate for the adoption of gender just policies and funding of COVID-19 response plans that holistically address the pandemic, including the secondary impacts on education, health, economy and

 

  1. We recognize that the COVID-19 pandemic response requires resource mobilisation, and we urge our governments to continue to fund and resource their commitment to achieving the Sustainable Development

 

  1. The ‘domestic’ workforce, where women make up 70%, are more likely to be part of the frontline We advocate to our governments for coordinated responses that are sensitive to the needs of women and girls, where unpaid caregivers and community health workers are provided with adequate training, equipment, and livelihood support to respond effectively and keep themselves and their families safe.

 

  1. We advocate for a holistic development agenda that addresses intersectional injustices, including universal health coverage and gender just health systems, equality in education, economic empowerment and freedom from exploitation, violence and discrimination. Governments must integrate a gender assessment to understand the impact of COVID-19 on women and girls, including economic impact, and how to address it Governments must plan and resource its response for the long term as the impacts will continue long after we have tackled the virus.

 

  1. We advocate for governments, faith leaders and civil society to collaborate in designating safe spaces (physical and online) for women where they can report abuse without alerting perpetrators, e.g. in pharmacies or via digital

 

A Collective Call to Fellow Faith-Based Actors and Civil Society

 

  1. We advocate that political, religious and community leaders speak out against Sexual and Gender-Based Violence, and ensure that survivor-centred services for women are well resourced and functioning. Awareness campaigns should be continued, and tactics that include targeting men and boys at home should be

 

  1. We encourage faith communities to support social solidarity through whatever means are available, and for those with additional resources to support connection and community among those most at-risk.

 

  1. Faith-based actors are already important providers of education and psycho-social support. We advocate during this time, for practices to be adapted and resourced to ensure this work

 

  1. We advocate to faith-actors to promote values of love, dignity and justice in their work to tackle this pandemic. It is vital that a non-discriminatory approach is exercised in all aspects of the COVID-19

 

  1. We advocate that political and religious leaders adopt communication channels that reach people marginalized in our communities, particularly women and Women and girls may have restricted access to information in times of crises, therefore, limited access to food distribution systems, health care or accessibility to protection services.

 

 

 

We will not remain silent when gender inequalities are exacerbated as a result of this crisis.