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Organizações do Feact-Brasil atuam no fortalecimento da Justiça de Gênero em meio à pandemia da covid 19

Dados da ONU Mulheres apontam que o número de mulheres vítimas de violência está aumentando como resultado da pandemia do novo coronavírus

Coletivo de Comunicação Feact-Brasil

Com vários países adotando as medidas de isolamento social, cerca de quatro bilhões de pessoas agora estão se abrigando em casa contra o contágio global do novo coronavírus. É uma medida protetora, mas que traz outro perigo mortal. Vemos uma pandemia crescente, a da violência contra as mulheres.

Uma em cada três mulheres em todo o mundo já sofreu violência . Os números crescem como resultado da pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2), aponta o relatório “A sombra da pandemia: violência contra mulheres e meninas e Covid-19”. O documento foi divulgado em abril pela ONU Mulheres, entidade da Organização das Nações Unidas para igualdade de gênero e empoderamento.

Em países profundamente desiguais como o Brasil, períodos de quarentena deflagram outras realidades — violações de direitos ainda mais aviltantes no acesso à terra, território, moradia, trabalho, saneamento básico, comunicação e segurança alimentar por parte de populações vulnerabilizadas. A violência de gênero é uma delas.

As mulheres negras estão mais vulneráveis à infecção e aos impactos socioeconômicos da pandemia, visto que elas são a maioria das pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza no Brasil. Mulheres são a maioria trabalhando nas áreas de enfermagem, mulheres são maioria nos trabalhos domésticos, estes, nunca valorizados ou remunerados como deveriam. O racismo e o machismo são vetores de mortes acentuadas pelo cenário da pandemia. Confira a matéria clicando aqui.

Na cidade de São Paulo, houve um aumento no número de prisões em flagrante de violência doméstica — passaram de 177 em fevereiro para 268 em março.

Outro exemplo desse aumento se percebe em Blumenau (SC), onde as ocorrências de violência doméstica subiram 39%. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que houve aumento expressivo de feminicídio dentro de casa em março, em São Paulo (46%), Acre (100%), Rio Grande do Norte (300%) e Mato Grosso (400%). A comparação foi realizada com março de 2019.

A diaconia ecumênica com justiça de gênero alerta as organizações baseadas da fé sobre a urgência de pensar ações que reduzam o sofrimento de mulheres, crianças, adolescentes e pessoas idosas forçadas a viver diuturnamente na presença de seus agressores.

Compartilhamos com vocês algumas ações de enfrentamento à violência de gênero, de emergência e ajuda humanitária por meio deste medium que pode ser acessado em português ou inglês.

Boa navegação!

MEDIUM EM PORTUGUÊS AQUI.

MEDIUM IN ENGLISH HERE.


FEACT Brazil organizations act to strengthen Gender Justice in the midst of the COVID-19 pandemic

Communication from FEACT Brazil

May 8

Data from UN Women suggests that the number of female victims of violence is increasing as a result of the new coronavirus pandemic.

FEACT Brazil Collective Communication

With a number of countries adopting social isolation measures, approximately four billion people are now sheltering at home against the global contagion of the new coronavirus. This is a protective measure, but one that leads to another mortal danger. We are seeing a growing pandemic — violence against women.

One in every three women around the world has experienced violence. These numbers have grown as a result of the new coronavirus (Sars-CoV-2) pandemic, as noted in the report “The Shadow Pandemic — Violence Against Women and Girls and COVID-19”. The document was published in April by UN Women, a United Nations organization for gender equality and the empowerment of women.

In profoundly unequal countries such as Brazil, periods of quarantine reveal other realities — even more appalling violations of the rights of vulnerable populations to access land, territory, housing, work, basic sanitation, communication and food security. Gender violence is one more of these.

Black women are even more vulnerable to infection and to the socio-economic impacts of the pandemic, given that they form the majority of people living below the poverty line in Brazil. Women make up the majority who work in nursing, women make up the majority in domestic work, and are never valued or remunerated as they should be. Racism and sexism are vectors of death accentuated by the pandemic situation.

Click here to check out the report

The city of São Paulo saw an increase in the number of arrests for acts of domestic violence — rising from 177 in February to 268 in March.

Another example of this increase was seen in Blumenau (SC), where the incidence of domestic violence rose by 39%. Data for March 2020 from the Brazilian Forum of Public Security demonstrate a significant increase, compared to March 2019, in femicide within the home in São Paulo (46%), Acre (100%), Rio Grande do Norte (300%) and Mato Grosso (400%).

The ecumenical diakonia for gender justice has warned faith-based organizations about the urgent need to consider actions that reduce the suffering of women, children, adolescents and the elderly forced to live with their aggressors on a daily basis. We would like to share some emergency and humanitarian activities to combat gender violence.

Happy navigating!

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Terreiros e KOINONIA na luta pela vida durante a pandemia da Covid 19 em Salvador

Por Ana Gualberto
com contribuições de Natália Blanco

Com o início das medidas de isolamento social em 17 de março, estamos monitorando o impacto da pandemia junto às comunidades negras tradicionais com as quais atuamos. Diante do desafio da manutenção da vida durante a pandemia, por saber que nossas casas de candomblé são espaços de acolhimento e referência para a comunidade, por compreender e valorizar sua ação junto à sua comunidade e por ter sua casa como parceira de nossas ações e sonhos de uma sociedade com mais equidade. Nos juntamos para atuar de forma direta na garantia da sobrevivência do nosso povo negro periférico e de religião de matriz africana.

Historiador e educador social, o Ogan Lucas Cidreira compartilha sua breve análise sobre como o que a história nos revela sobre os processos de resistência do povo de axé, olhando para essas ações dos terreiros durante a pandemia, principalmente com as lideranças das mulheres:

“Não podemos perder a perspectiva de toda a odisseia que cerca a sobrevivência da identidade ancestral em nós, essa medida é a condição singular para a nossa continuidade.
Tudo existe a partir do corpo, local onde nos é depositada pelas experiências a memória. A minha traz a resistência da manutenção e práticas dos ritos nas senzalas e na força das mulheres que lutaram e tornaram possível o candomblé entre outras denominações e manifestações ancestrais africanas. Em minha opinião primeiro espaço de resistência institucional da população negra, basilar para o resgate identitário de negras e negros em todo país.
A título de exemplo não seria possível a nossa sobrevivência quando o estado recém brasileiro institui leis que tornam crime ser negro e senão pela força das mulheres que sempre sustentaram e tornaram possível a nossa existência como grupo, o sustento da família, ao lado do homem negro perseguido e violentado, estão as mulheres sempre a lhes prover a vida, o resgate, a resistência e os caminhos para libertação, em seu pleno exercício de poder.
Assim, as ações que os terreiros de candomblé praticam em seu cotidiano de luta e resistência, o têm por inspiração dessa luta matriarcal, por alteridade, por entender o valor da vida e num momento como este jamais estaríamos eximidos do nosso papel e responsabilidade fraterno de cuidar. Mais uma vez vítimas de um processo irresponsável de globalização e usura, que não só globaliza as “conquistas” contemporâneas, mas também as suas mazelas.”

Olhando para realidade, algumas questões são importantes serem afirmadas:

  • Mais de 70% destas populações não tem vinculo empregatício, o que as coloca em situação de vulnerabilidade econômica;
  • Mais de 60% destas comunidades estão em áreas com saneamento básico insuficiente ou inexistente;
  • A crise econômica e social não se resolverá em curto prazo, o que nos coloca a necessidade de pensar mais ações de manutenção de sobrevivência;
  • As lideranças de terreiro e das associações quilombolas são referencias para buscar auxílio imediato para sanar falta de alimento, itens de higiene, compra de gás de cozinha, remédios entre outros itens.
  • Há redes articuladas pela Sociedade Civil em processos de distribuição de alimentos, com as quais estamos conectando as comunidades onde há esse tipo de intervenção. Porém a distribuição de alimentos tem se tornado cada vez mais complexas a partir de grandes entregas a partir de um lugar central. Uma solução é a compra local e a distribuição família por família, evitando assim as aglomerações que são de alto e de maior risco para as populações.

Como parceiros, KOINONIA foi procurada pelas lideranças de comunidades de terreiro de candomblé e iniciativas que contemplam este público para contribuir no que pudesse. Assim iniciamos diálogo com nossos financiadores para contribuir de alguma forma. Conseguimos destinar uma parte de nossos recursos que transformamos em alimentos e itens de limpeza.

Nós reportamos aos alguns terreiros que nos procuraram, que realizam atividades em parceria com KOINONIA nos últimos anos e que oferecem ações sociais em suas casas, buscamos também chegar em áreas diversas da cidade de Salvador. Chegamos à seguinte lista de comunidades de terreiro de candomblé e iniciativas:

Ilê Axé Okutá Lewá, Abassá de Ogum, Ilê Axé Torrun Gunam, Ilê Axé Omo Omim Tundê, Ilê Axé Obá Tossi, Ilê Axé Tafá Oyá, Egbé Onã Osun, Casa Branca, Comissão de Terreiros do Engenho velho, Coletivo pelo Nordeste de Amaralina, Espaço Vovó Conceição/Ong Dendê do Aro Amarelo e Rede de Mulheres Negra. Estes grupos receberam as doações e organizaram a distribuição a partir de seus espaços sagrados, reafirmando assim o papel da religião de matriz africana na promoção da vida.

Conseguimos alcançar aproximadamente 200 famílias. Compartilhamos algumas imagens e depoimentos para encher seu coração de alegria e esperança de uma sociedade mais solidária e amorosa.

Mãe Rose do Ilê Axé Obá Tossi:

“A situação é complicada, porque a gente vive de jogo, e através desse jogos que a gente compra cimento pra fazer uma obra na casa. Não para fazer do nosso axé um comercio, mas para suprir as necessidades da casa, para as contas de luz, agua, telefone etc. Só que neste momento sem poder atender clientes estamos vivendo na misericórdia de Deus e dos orixás. Mas uma coisa temos que agradecer, nossa vida, ficar cada um dentro de casa e pedir misericórdia para que isso acabe logo. Todo nosso povo ficou muito emocionado com a iniciativa.”

Iyalorixá Odara Bomfim do Egbé Onã Osun:

“Minha avaliação de organizações, que apoiam, que visam atuar no maior conhecimento de cultura de grupos históricos, e essa importância de ser uma organização ecumênica, de entender que a diferença não nos faz diferente, ela nos aproxima e nos traz conhecimento. Então ter a disposição de Koinonia auxiliando em nossa campanha para as doações, faz a sensação de caminho, de caminhar, de positividade, existe.

Diante de toda a trajetória histórica que nós povos e comunidades de matriz africana temos, neste caminho o que mais nos deparamos é com solidão. Então você se deparar com uma organização que categoricamente visa, entende, respeita, acolhe e aceita seus projetos, isso faz com que você tenha um sentimento de pertença. De que de fato essa terra é sua, esse caminho é seu, a liberdade, de fato, essa liberdade religiosa, ela é positiva. Então eu vejo de suma importância todas as atividades de Koinonia e essa disponibilidade acolhedora que todas as pessoas envolvidas nesta grande organização tem.”

 

Families in São Paulo receive emergency aid with support from FEACT Brazil, by ACT Alliance

Articulation and organization with families in the south of São Paulo. Photo: MAB São Paulo

2,000 baskets with food and hygiene and cleaning items will be distributed in an action led by KOINONIA, representing the Ecumenical Forum ACT Brazil, in coordination with the MAB

 

Versão em português: Famílias em São Paulo recebem ajuda emergencial com apoio do FEACT Brasil, pela ACT Aliança

By Natália Blanco/ Koinonia
With information shared by Liciane Andrioli and Ubiratã de Souza Dias/ MAB São Paulo

About 500 families affected by floods in neighborhoods in the East and South sides of São Paulo and Baixada Santista are receiving in these three months, food baskets and hygiene and cleaning kits, on an intensified action as off the beginning of May.  The action is coordinated in local alliance with the Movement of People Affected by Dam – MAB, partner of KOINONIA, representing the Ecumenical Forum ACT Brazil¹.

Through an ACT Alliance² Emergency Fund, the activity is part of a project of solidarity and organization with families affected by recurrent floods, who are now in an even more vulnerable situation due to the COVID-19 pandemic.

The impacts are worrying and signal the need for articulations of civil society solidarity with these families, mostly headed by women.  According to research conducted in 260 favelas across the country, “Coronavirus – Mães da Favela (Mothers of the Slums)” conducted by the Locomotive Institute and Data Favela, about 5 million women live in the favelas. Each mother has an average of 2.7 children. About 70% of mothers say that food is impaired by the absence or sudden decrease in income due to social isolation. According to the survey, almost 40% of mothers living in slums are autonomous professionals, only 15% have an employment contract.

The process of mapping and dialogue with families, especially with female head of families, has been taking place since mid-March and so is the articulation of partners in each territory, social workers, health agents, social movements and local leaders of neighborhoods. Churches have also been ready to collaborate. We identified the various solidarity actions underway in the different neighborhoods, with the registration of families we identified those where aid would not arrive and places where a decentralized distribution without agglomerations would be possible.

About 2,000 baskets will be distributed in the neighborhoods: União de Vila Nova, Jardim Romero, Jardim Penha, Vila Seabra and Vila Itaim Paulista, affected by the Penha dam, East Zone; Grajaú, Pedreira, Cidade Dutra and São Luiz, nearby the Billings dam, in the South Zone; and in the neighborhood Pilões, region bordering the Cubatão river, in the city of the same name, in Baixada Santista. In addition to baskets, psychosocial support has also been done with home-to-home visits and public advocacy actions, especially in communication initiatives in this special time of confinement.

The first batch of deliveries of baskets and kits takes place in the first week of May, the next are scheduled for the end of May and June, with all the necessary safety care to avoid any exposure of volunteers and beneficiaries to the virus of COVID-19.

According to Liciane Andrioli, of the Movement of People Affected by Dam in São Paulo “at this moment with the neoliberal policies of the Bolsonaro government, thousands of people have been losing their rights, many are unemployed or living of informal economy; With the COVID-19 pandemic, the living conditions of this people become even more precarious. This solidarity action started with the floods and will also help alleviate this situation at least a little.”

Solidarity and popular organization become main weapons against the pandemic

As the largest metropolis in Brazil, São Paulo faces the consequences of this when experiencing the epicenter of the coronavirus pandemic. Families who historically experience the difficulties caused by the lack of urban planning and inequalities that this entails, given the current scenario of setbacks, now experience all this in an intensified way with the arrival of the virus.

Policies that do not think of the city as part of nature, which neglect access to housing, sanitation and income distribution have favored the disorderly emerging of numerous occupations, slums and communities on the banks of dams and at-risk areas below them. The three regions where the solidarity action will act have something in common: the experience of being systematically impacted by the recurrent floods.

According to the Oswaldo Cruz Foundation, the lethality of COVID-19 is at 6.8% in Brazil, but as we also deal with the problem of case underreporting, due to inequalities in access to health and testing, this number may be 10 times higher according to FIOCRUZ. The areas most affected by COVID-19 in the city are on the outskirts, Brasilândia, North zone, e Sapopemba, East zone.

It is already proven that the virus is also excreted by feces, further compromising populations living without basic sanitation. The SOS Mata Atlântica Foundation released in March a study covering 181 stretches of rivers and bodies of water, within the perimeter of the Atlantic Forest, showing that 95% of the quality of the mineral resource is compromised.

According to IBGE, more than half of the Brazilian population does not have access to garbage collection and 34 million do not have piped water, gaping the deep abysses of inequality caused by an economic system where nature, which does not exclude human life, serves only for consumption.

MAB questions the allocation of resources and wealth generated by the dams of the South zone, Billings and Guarapiranga, the largest water reservoirs in the metropolitan region of São Paulo.

Ubiratã de Souza Dias, of MAB’s coordination team in the region points out: “the water and electricity generated by the dams are sold to the population and generate great profits for the companies that provide this service, however, we do not see this wealth that is generated here return in the form of improvements for families. Even many affected families living on the edge of the reservoir do not have access to treated water or sewage collection and treatment, a situation that we are taking into account in aid.”

 

¹ The Ecumenical Forum ACT Brazil consists of 23 faith-based organizations, including 7 churches. It exists for the last 18 years under this name and promotes actions for a secular and democratic State under the rule of law, in an ecumenical perspective that our planet and our cause cannot leave anyone out, all of us are part of the same future in Our Common House.

² The Forum is part of the ACT Alliance, a global coalition that brings together 151 faith-based organizations and churches, working together in more than 125 countries.

Note: Any use of image is regulated by the vulnerable children and adults safeguard policy of ACT Alliance and KOINONIA.

 

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Covid-19: Articulação de Mulheres do Baixo Sul da Bahia doam cestas agroecológicas para famílias de Camamu

Fotos: Articulação de Mulheres do Baixo Sul da Bahia

Cestas básicas vindas do assentamento Dandara dos Palmares foram entregues graças a organização das mulheres na resistência frente ao vírus.

Por Natália Blanco/ Koinonia

Na penúltima semana do mês de abril, cestas de alimentos, fruto da produção agroecológica de assentamentos como Dandara dos Palmares e Zumbi dos Palmares, na baía de Camamu chegou à diversas famílias em situação de vulnerabilidade da cidade e regiões próximas. Frutas, legumes e hortaliças, muitos desses alimentos são orgânicos, fruto da agricultura familiar.

Todo o processo de organização das doações até as entregas foram realizadas pelas próprias mulheres e suas famílias, em foram entregues em áreas periféricas como as ocupações Nova Conquista e Paulo Jackson, o bairro Mutirão e outro municípios como Uruçuca, Ilhéus, Itacaré, Maraú e Ibirapitanga.

A ação foi viabilizada com recurso vindo do Instituto Arapyaú e  por meio da Rede de Agroecologia Povos da Mata, chegou até os assentamentos para a produção dos alimentos. A Rede é o primeiro Organismo Participativo de Avaliação da Conformidade (OPAC) da Bahia. A Rede é autorizada pelo governo federal a emitir certificação orgânica de forma participativa.

Ao todo foram distribuídas cerca de 380 cestas, organizações como a Comissão Pastoral da Terra e Pastoral da Criança também foram beneficiadas.

E pela primeira vez neste tipo de ação, a articulação também contou com a doação de 11 cestas de alimentos, mais um kit de máscaras e informativos sobre o coronavírus vindas de Comunidades de Terreiro. Fato que foi muito louvado por Ana Celsa Sousa, técnica do Serviço de Assessoria a Organizações Populares Rurais (SASOP), liderança comunitária e integrante da articulação de mulheres. “Foi uma experiência muito boa contar com nossas/os companheiras/os das comunidades de terreiro, normalmente são comunidades que não recebem muita visibilidade por conta intolerância”.

Não é novidade para as comunidades negras tradicionais, como quilombolas e outras populações do campo, a necessidade da auto-organização como forma de garantia de sua autonomia. As medidas tomadas em virtude da chegada da pandemia da covid-19 aos seus territórios não foram diferentes.

A ação também contou com o apoio para mobilização e organização das famílias também apoio da Articulação de Mulheres do Baixo Sul e também de outras parcerias como KOINONIA, SASOP, Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Escola Agrícola Comunitária Margarida Alves e outras associações comunitárias. Essa e outras ações são importantes para fortalecer a autonomia dessas comunidades e principalmente para as mulheres, que cumprem um papel tão importante na produção agroecológica e nas lideranças das famílias e comunidades.

A Articulação de Mulheres do Baixo Sul é uma mobilização formada por mulheres de comunidades da região de Camamu, no Baixo Sul da Bahia, que visa fortalecer o poder político, autonomia econômica e a soberania alimentar de mulheres e suas comunidades. Muito atuante, as mulheres viram a necessidade de continuar o planejamento de suas atividades de forma à distância, encarando o fato de que a comunicação virtual muitas vezes é dificultada por conta de problemas técnicos como acesso à internet.

Os efeitos do coronavírus  na autonomia econômica das mulheres de Camamu

A necessidade do isolamento social tem afetado as dinâmicas econômicas das mulheres de Camamu, e isso é uma preocupação para a Articulação de Mulheres do Baixo Sul da Bahia. “Nosso município gira em torno das produções agrícolas e da atividade econômica da nossa feira, onde todo mundo leva seus produtos para ser comercializado. Agora que não podemos ir até a feira e nem a outros comércios da cidade, então fica complicado”, explica Ana Celsa.

Além das frutas e verduras, são produtos chamados de beneficiários como doces em compota, geleias, polpas, chocolates, e por aí vai. Além da economia local, a segurança alimentar das famílias também acaba sendo prejudicada com a situação.

Como o município é pequeno e rural, outra iniciativa tocada pela Articulação de Mulheres tem sido o mapeamento de agricultoras, para escoar a produção e promover um intercâmbio “à distância” entre as comunidades.

A ideia é que uma vez por semana, um transporte comunitário faça o leve e traz dos produtos de uma comunidade a outra. O mapeamento visa dividir os produtos em 3 categorias: frutas e verduras, plantas medicinais, e os do tipo beneficiários.

Além disso, Ana Celsa destaca que esse momento de isolamento tem servido para as famílias refletiram sobre como é importante consumir o que nós mesmas produzimos. “A maior lição que podemos tirar disso é que neste tempo de isolamento precisamos valorizar o que temos em nosso próprio quintal. Eu mesma aqui em casa tenho várias plantas que tenho consumido como chá. E tem sido muito bom valorizar o que é nosso!”.

 

Dialogue with the affected families. Photos: MAB São Paulo

Famílias em São Paulo recebem ajuda emergencial com apoio do FEACT Brasil, pela ACT Aliança

Articulação e organização com famílias da zona sul de São Paulo. Foto: MAB São Paulo

2 mil cestas com alimentos e artigos de higiene e limpeza serão distribuídas em ação liderada por KOINONIA, representando o Fórum Ecumênico ACT Brasil, em coordenação com o MAB.

English version: Families in São Paulo receive emergency aid with support from FEACT Brazil, by ACT Alliance

Por Natália Blanco/ Koinonia
Com informações de Liciane Andrioli e Ubiratã de Souza Dias/ MAB São Paulo

Cerca de 500 famílias atingidas por enchentes de bairros das zonas Leste e Sul de São Paulo e da Baixada Santista estão recebendo nesses três meses, cestas de alimentos e kits de higiene e limpeza, ação intensificada a partir do início de maio.  A ação é coordenada em aliança local com o Movimento de Atingidos por Barragens – MAB, parceiro de KOINONIA, representando o Fórum Ecumênico ACT Brasil¹.

Por meio de um Fundo Emergencial da ACT Aliança², a atividade faz parte de um projeto de solidariedade e organização com as famílias atingidas por recorrentes enchentes, que agora, se encontram em situação de ainda maior vulnerabilidade devido à pandemia da covid-19.

Os impactos são preocupantes e sinalizam a necessidade de articulações de solidariedade da sociedade civil com estas famílias, em sua maioria chefiada por mulheres.  De acordo com a pesquisa realizada em 260 favelas de todo o país, “Coronavírus – Mães da Favela” feita pelo Instituto Locomotiva e o Data Favela, cerca de 5 milhões de mulheres vivem em  as favelas. Cada mãe tem em média 2,7 filhos. Cerca de 70% das mães afirmam que a alimentação está prejudicada pela ausência ou diminuição brusca da renda em virtude do isolamento social. Ainda de acordo com o levantamento, quase 40% das mães que vivem em favelas são profissionais autônomas, somente 15% têm carteira assinada.

O processo de mapeamento e diálogo com as famílias, sobretudo com as mães chefes de família, vem se dando desde meados de março e também conta com articulação de parceiros em cada território, assistentes sociais, agentes de saúde, movimentos sociais e lideranças locais de bairros, igrejas também têm se prontificado para colaborar. Identificamos as diversas ações de solidariedade em curso nos diferentes bairros, com o cadastramento das famílias identificamos aquelas onde as ajudas não chegariam e os locais onde uma distribuição descentralizada sem aglomerações seria possível.

Cerca de 2 mil cestas serão distribuídas nos bairros: União de Vila Nova, Jardim Romero, Jardim Penha, Vila Seabra e Vila Itaim Paulista, afetados pela barragem da Penha, Zona Leste; Grajaú, Pedreira, Cidade Dutra e São Luiz, no entorno da barragem Billings, na Zona Sul; e no bairro Pilões, região que beira o rio Cubatão, na cidade de mesmo nome, na Baixada Santista. Além das cestas,  o apoio psicossocial também tem sido feito com visitas de casa em casa e ações de incidência pública, especialmente em iniciativas de comunicação nesse tempo especial de confinamento.

A primeira leva de entregas das cestas e kits acontece na primeira semana de maio, as próximas estão agendadas para o final de maio e junho, com todos os cuidados de segurança necessários para evitar qualquer exposição de voluntários e beneficiárias/os ao vírus da covid-19.

Para Liciane Andrioli, do Movimento de Atingidos por Barragens paulista “neste momento com as políticas neoliberais do governo Bolsonaro, milhares de pessoas vêm perdendo seus diretos, muitas estão em situação de desemprego ou vivendo na informalidade; Com a pandemia do COVID-19, as condições de vida desse povo ficam ainda mais precárias. Essa ação de solidariedade começou pelas enchentes e também vai ajudar a amenizar pelo menos um pouco esta situação”.

A solidariedade e a organização popular se tornam uma das principais armas contra a pandemia

Como maior metrópole do Brasil, São Paulo enfrenta as consequências disso ao vivenciar o epicentro da pandemia do coronavírus. Famílias que historicamente vivenciam as dificuldades provocadas pela falta de planejamento urbano e desigualdades que isso acarreta, diante do cenário atual de retrocessos, agora, vivenciam tudo isso de forma intensificada com a chegada do vírus.

Políticas que não pensam a cidade enquanto parte da natureza, que negligenciam o acesso à moradia, saneamento e distribuição de renda acabaram por favorecer o surgimento desordenado de inúmeras ocupações, favelas e comunidades às margens das barragens e nas zonas de risco abaixo delas. As três regiões onde a ação de solidariedade vai atuar têm algo em comum: a experiência de serem impactadas sistematicamente pelas recorrentes enchentes.

De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz, a letalidade da covid-19 está em 6,8% no Brasil, mas como também lidamos com o problema das subnotificações de casos, devido às desigualdades no acesso à saúde e testagens, este número pode ser 10 vezes maior segundo a FIOCRUZ. As zonas mais afetadas pela covid-19 na cidade estão nas periferias, Brasilândia, zona Norte, e Sapopemba, zona Leste.

Já está comprovado que o vírus é, também, excretado pelas fezes, comprometendo ainda mais as populações que vivem sem saneamento básico. A Fundação SOS Mata Atlântica divulgou em março um estudo que abrangeu 181 trechos de rios e corpos d’água, no perímetro da Mata Atlântica, mostrando que 95% da qualidade do recurso mineral estão comprometidos.

Segundo o IBGE, mais da metade da população brasileira não tem acesso à coleta de lixo e 34 milhões não têm água encanada, escancarando os abismos profundos da desigualdade provocada por um sistema econômico onde a natureza, que não exclui a vida humana, serve como apenas para o consumo.

O MAB questiona a destinação dos recursos e riquezas gerados pelas barragens da zona Sul, a Billings e Guarapiranga, maiores reservatórios de água da região metropolitana de SP.

Ubiratã de Souza Dias, da coordenação do MAB na região ressalta: “a água e energia elétrica gerada pelas barragens são vendidas à população e geram grandes lucros para as empresas que prestam esse serviço, no entanto, não vemos essa riqueza que é gerada aqui retornar em forma de melhorias para as famílias. Inclusive muitas famílias atingidas que moram na beira do reservatório não tem acesso à água tratada e nem a coleta e tratamento de esgoto, situação que estamos considerando na ajuda”.

¹ O Fórum Ecumênico ACT Brasil é formado por 23 organizações baseadas em fé, entre elas, 7 igrejas. Existe há 18 anos com este nome e promove ações pelo Estado Democrático Laico e de Direito, em uma  perspectiva ecumênica de que o nosso planeta e a nossa causa não podem deixar ninguém de fora, todas e todos somos parte do mesmo futuro e Casa Comum.

² O Fórum integra a Aliança ACT, uma coalisão global, que reúne 151 organizações baseadas na fé e igrejas, trabalhando juntas em mais de 125 países.

 

Nota: Qualquer uso de imagem está regulado pela política salvaguardas de crianças e adultos vulneráveis de ACT Aliança e de KOINONIA.

A Joint Statement: Gender, Faith and COVID-19

0.0.      Introduction

As religious actors and networks of faith-based organizations, we are called to work together for gender equality and justice, amid global changes, rising nationalism, and conflict. We are living in changing global, regional, and national environments. As COVID-19 spreads around our world, countries, communities and individuals face increasing challenges. During the COVID-19 pandemic, many faith actors are at the forefront of the design, delivery, and implementation of a gender sensitive and holistic response based on accurate information. While also practicing social distancing, and adhering to health ministry guidelines. This urgent time calls for responsive action based on love, dignity and justice.

The COVID-19 crisis does not operate in a vacuum and, as a result, COVID-19 increases pre- existing inequalities. Women and girls are experiencing intersecting injustices in political, social and economic spheres.1 Faith in Beijing is a collective of religious actors and networks, who are calling upon governments, faith based actors and civil society, for strong responses to COVID-19 that put gender justice at the centre.

1.0.      Gendered dimensions of COVID-19

 

Governments worldwide have struggled to adequately respond to the crisis. This is a result of decisions made by powerful leaders, which includes decades of underfunding public health services, and the multilateral health system, including the World Health Organization (WHO). For many decades, the WHO has consistently presented robust evidence about the social determinants of health, the need for health to be rooted in all policies, and observed that health cannot be separated from other policy areas. The COVID-19 pandemic shows that strong responses require intersectional approaches, which include protecting women’s rights and gender equality.

Looking at COVID-19 from an intersectional gendered lens, we can see that the various forms of inequality often operate together and exacerbate one another. The big picture is much more complex than is often portrayed by governments. Pre-existing vulnerabilities are exacerbated during a crisis, since social and protective networks are disrupted. Under lockdown policies, many women are forced to stay at homes where they are not safe or secure. They are forced to live

with abusive partners or parents, while services to survivors of gender-based violence are harder to access.2 As the pandemic unfolds, we have witnessed an increase in intimate partner violence and other forms of domestic violence. In some communities around the world, violence against women during the pandemic has been by the security agencies enforcing the lockdown, sometimes using undue force. The COVID-19 response must therefore include strategies to address and prevent Sexual and Gender Based Violence. This work must be conducted in a holistic way, with a multi-sectoral approach so that people’s mental, social and physical needs are addressed. By integrating psychosocial aspects in the approach, the wellbeing, safety and hope among survivors and communities can be strengthened.

As gender injustice persists in our world, the impacts of COVID-19 will be hardest felt by women and girls. Worldwide, many people who are enrolled in health care and the related care economy are women. Occupying positions on the frontline makes women more susceptible to the risk of infection. Many people will lose their livelihoods, as already experienced worldwide with the global lockdown. This impacts the service industry and informal sector, where many women work. The closure of schools will impact girls’ education now and in the long-term, with an increase risk for child marriage and child labour.3

This becomes more acute when we look at the different levels of vulnerability women might be exposed to, such as age, race, ethnicity, class, disability and immigrant status. Since health care systems are immensely pressured during COVID-19, it is important that governments worldwide continue to provide sexual and reproductive health (SRH) services. These services are essential and lifesaving, especially for women and girls, and are now more crucial with heightened risks for women and girls.

 

2.0.      Faith and Gender Sensitive Responses

 Once more we see that religious actors and faith communities can play an important role in the time of an unprecedented crisis. Faith actors are deeply rooted in the communities they serve and as such they are often the first responders. In the face of the COVID 19 pandemic, local faith institutions, religious leaders and other faith-based organizations are responding to the needs of their communities as humanitarian actors as well as leveraging their moral authority to share positive health messaging and guidance, as informed by government health ministries.

Around the globe, millions of people have been placed under lockdown to reduce transmission of the virus and halt rates of infection and death. Isolation associated with lockdowns and

  • Many women are being forced to ‘lockdown’ at home with their abusers at the same time that services to support survivors are being disrupted or made inaccessible. For more information, see: UN Women (2020) COVID-19 and Ending Violence Against Women and Girls: https://www.unwomen.org/-

/media/headquarters/attachments/sections/library/publications/2020/issue-brief-covid-19-and-ending-violence- against-women-and-girls-en.pdf?la=en&vs=5006 [last accessed 15/04/20]

 

quarantines will have an impact on the communities that we work in and to which we belong. Faith communities are social by nature. Religious institutions and religious practices are impacted, as ceremonies that usually bring many of us together are being curtailed. Easter was, and Ramadan will be, marked differently this year, yet continue to be opportunities to give and receive, forgive, forbear and exercise patience.

 

Faith communities have a strong base from which to promote social distancing (to reduce transmission of the virus causing COVID-19), while also practicing solidarity. Service to those most oppressed must continue, albeit in new ways. Many religious leaders hold significant power and trust, sometimes more than the government. Thus, religious institutions can play a vital role in distributing accurate key public health information to their communities. As well as promoting messages of gender justice, challenging stigma and harmful gender norms.

Inter-faith and inter-religious dialogue and collaboration is crucial at these times. Majority religions, with stronger relationships and trust among authorities and state officials, can collaborate with minority religions, who are extra vulnerable in many contexts. Moreover, faith actors and religious institutions with more resources and capacity to respond to this crisis can share knowledge, resources and best practices where possible with other religious communities, traditional leaders and women’s rights organisations. Therefore, faith actors continue to be critical partners in addressing this crisis and in the work to come.

 

 

3.0.      Post COVID-19: A Vision of Gender Justice in Our World

 

We, as religious actors and faith-based networks, are committed to ensuring that gender justice and equality becomes a reality around the world. We believe that Agenda 2030 is critical to ensuring that ‘No One is Left Behind’, and that gender equality is about equal rights for all.

As business as usual is paused, we have the opportunity to reflect upon the brokenness in our world and our economic system. In these spaces, we can begin to imagine a world rooted in equality and justice for all. The COVID-19 pandemic has revealed how globally interconnected we are and how gender injustice reveals itself at an individual and a collective level.

During this crisis, our focus will be on how best we can work together to support religious leaders and faith communities to effectively respond to increasingly challenging circumstances. In particular, our work for gender justice remains important, to ensure a just and sustainable future for all. We will continue to work within and between our faith communities to shape a world that is sustainable and where the human rights of all are respected.

Our commitment to human rights is not an arbitrary cultural or ideological preference; it is rooted in religious convictions. There can be no justice where God-given human rights are violated or where duty bearers fail to discharge their responsibilities. In this vision, we value the work of caring and nurturing within our communities. Let us seek to truly learn from those who already hold the knowledge and wisdom of alternative systems. Let us understand that one knowledge alone will never be complete. Only by truly engaging with one another from a place of humility

and vulnerability, with a willingness to defamiliarize ourselves with current norms that we might see the radical shift towards a justice-centred world. This is necessary for true gender equality, as well as human and planetary flourishing.

 

4.0. Recommendations to Governments, Faith Based Actors and Civil Society

 

In the weeks, months, years and decades ahead, we will continue to work together to advocate to our governments, and within our communities, for an acceleration of action to achieve Agenda 2030. In light of this commitment, we submit the following recommendations in the midst of COVID-19 response and beyond.

A Collective Call to Governments

 

  1. We advocate that all responses involve faith actors, and ensure coordination and meaningful partnerships between faith, traditional and secular actors. Faith actors are key in reaching communities both with essential information, providing service to vulnerable groups and promoting behaviour change and challenging harmful norms, stereotypes and

 

  1. We advocate for the adoption of gender just policies and funding of COVID-19 response plans that holistically address the pandemic, including the secondary impacts on education, health, economy and

 

  1. We recognize that the COVID-19 pandemic response requires resource mobilisation, and we urge our governments to continue to fund and resource their commitment to achieving the Sustainable Development

 

  1. The ‘domestic’ workforce, where women make up 70%, are more likely to be part of the frontline We advocate to our governments for coordinated responses that are sensitive to the needs of women and girls, where unpaid caregivers and community health workers are provided with adequate training, equipment, and livelihood support to respond effectively and keep themselves and their families safe.

 

  1. We advocate for a holistic development agenda that addresses intersectional injustices, including universal health coverage and gender just health systems, equality in education, economic empowerment and freedom from exploitation, violence and discrimination. Governments must integrate a gender assessment to understand the impact of COVID-19 on women and girls, including economic impact, and how to address it Governments must plan and resource its response for the long term as the impacts will continue long after we have tackled the virus.

 

  1. We advocate for governments, faith leaders and civil society to collaborate in designating safe spaces (physical and online) for women where they can report abuse without alerting perpetrators, e.g. in pharmacies or via digital

 

A Collective Call to Fellow Faith-Based Actors and Civil Society

 

  1. We advocate that political, religious and community leaders speak out against Sexual and Gender-Based Violence, and ensure that survivor-centred services for women are well resourced and functioning. Awareness campaigns should be continued, and tactics that include targeting men and boys at home should be

 

  1. We encourage faith communities to support social solidarity through whatever means are available, and for those with additional resources to support connection and community among those most at-risk.

 

  1. Faith-based actors are already important providers of education and psycho-social support. We advocate during this time, for practices to be adapted and resourced to ensure this work

 

  1. We advocate to faith-actors to promote values of love, dignity and justice in their work to tackle this pandemic. It is vital that a non-discriminatory approach is exercised in all aspects of the COVID-19

 

  1. We advocate that political and religious leaders adopt communication channels that reach people marginalized in our communities, particularly women and Women and girls may have restricted access to information in times of crises, therefore, limited access to food distribution systems, health care or accessibility to protection services.

 

 

 

We will not remain silent when gender inequalities are exacerbated as a result of this crisis.

 

Reconstruindo um mundo justo: atores religiosos e organizações baseadas na fé pedem respostas face à COVID-19 para combater as desigualdades de gênero

Durante a pandemia da COVID-19, muitos atores religiosos estão na linha de frente. ACT Aliança posiciona-se junto com líderes religiosos e organizações baseadas na fé em todo o mundo, em ações de incidência junto a governos e sociedade civil, por respostas urgentes que protejam os direitos das mulheres e alcancem a igualdade de gênero.

A crise não opera no vácuo e, como resultado, a pandemia está aumentando as desigualdades de gênero pré-existentes. Em todo o mundo, os papéis de gênero têm um impacto acentuado na exposição, transmissão e padrões de desfecho da COVID-19. Mulheres e meninas estão experimentando injustiças que se interconectam nas esferas política, social e econômica.

Violência sexual e de gênero

Na declaração publicada hoje, Faith in Beijing, que é um coletivo de atores religiosos e redes baseadas na fé, apela para que as respostas da COVID-19 incluam estratégias para abordar e prevenir a violência sexual e baseada em gênero. Sob políticas de confinamento, muitas mulheres são forçadas a ficar em casas onde não se sentem seguras e não estão segurança. Elas são forçadas a viver com parceiros ou pais abusivos, enquanto os serviços para sobreviventes de violência de gênero são mais difíceis de acessar. Em algumas comunidades ao redor do mundo, a violência contra as mulheres durante a pandemia tem sido perpetrada pelas agências de segurança que aplicam o isolamento, usando força indevida.

Fé na Linha de Frente

As comunidades religiosas têm uma forte base para promover o distanciamento social (para reduzir a transmissão do vírus causador do COVID-19), ao mesmo tempo em que praticam a solidariedade. Muitos atores religiosos detêm significativo poder e são considerados confiáveis, às vezes mais do que o governo. Assim, as instituições religiosas podem desempenhar um papel vital na distribuição de informações precisas sobre saúde pública para suas comunidades. Os líderes religiosos podem desempenhar um papel positivo na promoção de mensagens de justiça de gênero, desafiando o estigma e as normas de gênero prejudiciais.

Igualdade e Justiça para todos

Como os negócios, como de costume, sofre uma pausa no momento, temos a oportunidade de refletir sobre a situação precária do nosso mundo e do nosso sistema econômico. Nesses espaços, podemos começar a imaginar um mundo enraizado na igualdade e na justiça para todos. A pandemia COVID-19 revelou como estamos globalmente interconectados e como a injustiça de gênero se revela em nível individual e coletivo.

ACT Aliança, juntamente com os membros da Faith in Beijing, deveriam participar na reunião 64 da Comissão das Nações Unidas sobre o Estatuto das Mulheres. Embora o encontro internacional dos Estados-Membros da ONU e da sociedade civil tenha sido adiado no mês passado, nosso trabalho pela justiça de gênero continua a ser importante, para garantir um futuro justo e sustentável para todos.

Leia a declaração sobre Gênero, Fé e COVID-19 aqui 

Notas:

Atores religiosos e organizações baseadas na fé que assinaram as declarações incluem:

  1. ACT Alliance – ACT Aliança
  2. Act Church of Sweden – ACT Igreja da Suécia
  3. Anglican Communion – Comunhão Anglicana
  4. Association of Presbyterian Women Aotearoa New Zealand – Associação de Mulheres Presbiterianas de Aotearoa-Nova Zelândia
  5. Christian Aid – Christian Aid
  6. DanChurchAid – Ajuda da Igreja da Dinamarca
  7. The Girls’ Brigade International – Brigada Internacional das Meninas
  8. Islamic Relief Worldwide – Ajuda Islâmica em todo o mundo
  9. Side by Side: Faith movement for gender justice – Lado a Lado: Movimento de fé pela justiça de gênero
  10. United Society of Partners in the Gospel – Sociedade Unida de Parceiros no Evangelho
  11. We Will Speak Out South Africa – Denunciaremos em Alta Voz, África do Sul
  12. World Council of Churches – Conselho Mundial de Igrejas

 

Uma Declaração Conjunta: Gênero, Fé e COVID-19

0.0. Introdução

Como atores religiosos e redes de organizações baseadas na fé, somos chamados a trabalhar juntos pela igualdade de gênero e justiça, em meio a mudanças globais, nacionalismo crescente e conflitos. Estamos vivendo mudanças em ambientes globais, regionais e nacionais. À medida que a COVID-19 se espalha pelo nosso mundo, países, comunidades e indivíduos enfrentam desafios crescentes. Durante a pandemia de COVID-19, muitos atores religiosos estão na vanguarda da planificação, entrega e implementação de uma resposta sensível e holística de gênero baseada em informações precisas. Ao mesmo tempo em que pratica o distanciamento social e adesão às diretrizes de ministérios da saúde. Este tempo de urgência exige uma ação responsiva baseada no amor, dignidade e justiça.

A crise COVID-19 não opera no vácuo e, como resultado, a COVID-19 aumenta as desigualdades pré-existentes. Mulheres e meninas estão experimentando injustiças interseccionais nas esferas política, social e econômica[1].

Fé em Pequim é um coletivo de atores religiosos e redes, que estão convocando governos, atores baseados na fé e sociedade civil, para respostas fortes à COVID-19 que colocam a justiça de gênero no centro.

1.0. Dimensões de Gênero da COVID-19

Governos em todo o mundo têm lutado para responder adequadamente à crise. Isso é resultado de decisões tomadas por líderes poderosos, que incluem décadas de sub-financiamento dos serviços públicos de saúde, e do sistema multilateral de saúde, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Durante muitas décadas, a OMS tem apresentado consistentemente evidências robustas sobre os determinantes sociais da saúde, a necessidade de que saúde esteja enraizada em todas as políticas e observou que a saúde não pode ser separada de outras áreas políticas. A pandemia da COVID-19 mostra que respostas fortes requerem abordagens interseccionais, que incluem a proteção dos direitos das mulheres e a igualdade de gênero.

Olhando para a COVID-19 a partir de uma lente de gênero interseccional, podemos ver que as várias formas de desigualdade muitas vezes operam juntas e exacerbam umas às outras. O quadro geral é muito mais complexo do que é frequentemente retratado pelos governos. As vulnerabilidades pré-existentes são exacerbadas durante uma crise, uma vez que as redes sociais e de proteção são interrompidas. Sob políticas de confinamento, muitas mulheres são forçadas a ficar em casas onde não estão à salvo ou em segurança. Elas são forçadas a viver com parceiros ou pais abusivos, enquanto os serviços aos sobreviventes da violência de gênero são mais difíceis de serem acessados[2]. À medida que a pandemia se desenrola, temos testemunhado um aumento da violência entre parceiros íntimos e outras formas de violência doméstica. Em algumas comunidades ao redor do mundo, a violência contra as mulheres durante a pandemia por parte das agências de segurança que aplicam o confinamento, tem sido às vezes usando força indevida. A resposta à COVID-19 deve, portanto, incluir estratégias para enfrentar e prevenir a violência sexual e de gênero. Este trabalho deve ser conduzido de forma holística, com uma abordagem multisetorial para que as necessidades mentais, sociais e físicas das pessoas sejam atendidas. Ao integrar aspectos psicossociais na abordagem, o bem-estar, a segurança e a esperança entre sobreviventes e comunidades podem ser fortalecidos.

À medida que a injustiça de gênero persistir em nosso mundo, os impactos da COVID-19 serão mais sentidos pelas mulheres e meninas. Em todo o mundo, muitas pessoas que estão matriculadas na assistência à saúde e ao que está relacionado à economia do cuidado são as mulheres. Ocupar posições na linha de frente torna as mulheres mais suscetíveis ao risco de infecção. Muitas pessoas perderão seus meios de subsistência, como já experimentado em todo o mundo com o confinamento global. Isso impacta a indústria de serviços e o setor informal, onde muitas mulheres trabalham. O fechamento das escolas impactará a educação das meninas agora e a longo prazo, com aumento do risco para o casamento infantil e o trabalho infantil[3].

Isso se torna mais agudo quando olhamos para os diferentes níveis de vulnerabilidade a que as mulheres podem ser expostas, como idade, raça, etnia, classe, deficiência e status de imigrante. Uma vez que os sistemas de saúde são imensamente pressionados durante a COVID-19, é importante que os governos em todo o mundo continuem a fornecer serviços de saúde sexual e reprodutiva (SRH). Esses serviços são essenciais e salvam vidas, especialmente para mulheres e meninas, e agora são mais cruciais com riscos elevados para mulheres e meninas.

2.0. Respostas Baseadas na Fé e Gênero

Mais uma vez vemos que atores religiosos e comunidades religiosas podem desempenhar um papel importante no momento de uma crise sem precedentes. Os atores religiosos estão profundamente enraizados nas comunidades que servem e, como tal, são frequentemente os socorristas. Diante da pandemia da COVID-19, instituições de fé locais, líderes religiosos e outras organizações  baseadas na fé estão respondendo às necessidades de suas comunidades como atores humanitários, bem como aproveitando sua autoridade moral para compartilhar mensagens e orientações positivas de saúde, conforme informado pelos ministérios de saúde do governo.

Em todo o mundo, milhões de pessoas foram confinadas para reduzir a transmissão do vírus e parar as taxas de infecção e morte. O isolamento associado a confinamentos e quarentenas terá um impacto nas comunidades em que trabalhamos e às quais pertencemos. As comunidades religiosas são sociais por natureza. Instituições religiosas e práticas religiosas são impactadas, pois cerimônias que, geralmente, reúnem muitos de nós, estão sendo restringidas. A Páscoa foi marcada, e o Ramadã será, de forma diferente este ano, mas continuam a ser oportunidades de dar e receber, perdoar, suportar e exercitar a paciência.

As comunidades religiosas têm uma forte base para promover o distanciamento social (para reduzir a transmissão do vírus causador da COVID-19), ao mesmo tempo em que praticam a solidariedade. O serviço aos mais oprimidos deve continuar, ainda que de novas maneiras. Muitos líderes religiosos detêm poder e confiabilidade significativos, às vezes mais do que o governo. Assim, as instituições religiosas podem desempenhar um papel vital na distribuição de informações precisas sobre saúde pública para suas comunidades. Além de promover mensagens de justiça de gênero, desafiando o estigma e as normas de gênero prejudiciais.

O diálogo entre diferentes fés e inter-religioso e a colaboração são cruciais nestes momentos. As religiões de maiorias, com relações mais fortes e de maior grau de confiança entre autoridades e funcionários do Estado, podem colaborar com religiões minoritárias, que são muito vulneráveis em vários contextos. Além disso, atores religiosos e instituições religiosas com mais recursos e capacidade de resposta a essa crise podem compartilhar conhecimentos, recursos e melhores práticas sempre que possível com outras comunidades religiosas, com líderes tradicionais e organizações de direitos das mulheres. Portanto, os atores religiosos continuam a ser parceiros críticos no enfrentamento dessa crise e no trabalho que está por vir.

3.0. Post COVID-19: Uma Visão da Justiça de Gênero em Nosso Mundo

Nós, como atores religiosos e redes baseadas na fé, estamos comprometidos em garantir que a justiça de gênero e a igualdade se tornem realidade em todo o mundo. Acreditamos que a Agenda 2030 é fundamental para garantir que “Ninguém seja deixado para trás”, e que a igualdade de gênero é sobre direitos iguais para todos.

Durante esta crise, nosso foco será a melhor forma de trabalharmos juntos para apoiar líderes religiosos e comunidades religiosas para responder efetivamente às circunstâncias cada vez mais desafiadoras. Em particular, nosso trabalho pela justiça de gênero continua sendo importante, para garantir um futuro justo e sustentável para todos. Continuaremos a trabalhar dentro e entre nossas comunidades religiosas para moldar um mundo sustentável e onde os direitos humanos de todos sejam respeitados.

Nosso compromisso com os direitos humanos não é uma preferência cultural ou ideológica arbitrária; está enraizada em convicções religiosas. Não pode haver justiça onde os direitos humanos dados por Deus são violados ou quando os portadores de dever não cumprem suas responsabilidades. Nessa visão, valorizamos o trabalho de cuidar e nutrir dentro de nossas comunidades. Busquemos realmente aprender com aqueles que já possuem o conhecimento e a sabedoria de sistemas alternativos. Vamos entender que um conhecimento por si só nunca será completo. Apenas por realmente engajar-se uns com os outros a partir de um lugar de humildade e vulnerabilidade, com a vontade de nos desfamiliarizarmos com as normas correntes para que possamos ver a mudança radical para um mundo centrado na justiça. Isso é necessário para a verdadeira igualdade de gênero, bem como para o florescimento humano e planetário.

4.0. Recomendações aos Governos, Atores Baseados na Fé e Sociedade Civil

Nas semanas, meses, anos e décadas à frente, continuaremos a trabalhar juntos para defender nossos governos e dentro de nossas comunidades, para uma aceleração das ações para alcançar a Agenda 2030. À luz deste compromisso, apresentamos as seguintes recomendações em meio à resposta do COVID-19 e além.

 

Uma Chamada Coletiva aos Governos

  1. Defendemos que todas as respostas envolvam atores religiosos e garantam coordenação e parcerias significativas entre atores religiosos, tradicionais e seculares. Os atores religiosos são fundamentais para alcançar comunidades tanto com informações essenciais, prestando serviço a grupos vulneráveis e promovendo mudanças de comportamento e desafiando normas, estereótipos e estigmas prejudiciais.
  2. Defendemos a adoção de políticas justas de gênero e o financiamento de planos de resposta a COVID-19 que abordam holisticamente a pandemia, incluindo os impactos secundários na educação, saúde, economia e meios de subsistência.
  3. Reconhecemos que a resposta à pandemia da COVID-19 requer mobilização de recursos, e pedimos aos nossos governos que continuem a financiar e a alocar recursos compatíveis com o compromisso de alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
  4. A força de trabalho “doméstica”, onde as mulheres compõem 70%, são mais propensas a fazer parte da resposta da linha de frente. Incidimos junto aos nossos governos para que deem respostas coordenadas que sejam sensíveis às necessidades de mulheres e meninas, onde cuidadores não remunerados e agentes comunitários de saúde recebam treinamento adequado, equipamentos e apoio à subsistência para responder efetivamente e manter a si mesmos e suas famílias seguros.
  5. Defendemos uma agenda de desenvolvimento holístico que aborde injustiças interseccionais, incluindo cobertura universal de saúde e sistemas de saúde de gênero justo, igualdade na educação, empoderamento econômico e livre de exploração, violência e discriminação. Os governos devem integrar uma avaliação de gênero para entender o impacto da COVID-19 sobre mulheres e meninas, incluindo impacto econômico, e como lidar com isso de forma eficaz. Os governos devem planejar e dar recursos à sua resposta a longo prazo, pois os impactos continuarão muito tempo depois de termos enfrentado o vírus.
  6. Defendemos que governos, líderes religiosos e sociedade civil colaborem na designação de espaços seguros (físicos e online) para mulheres, onde possam denunciar abusos sem alertar os agressores, por exemplo, em farmácias ou via plataformas digitais.

Uma Chamada Coletiva para Atores Parceiros Baseados na Fé e Sociedade Civil

  1. Defendemos que líderes políticos, religiosos e comunitários se manifestem contra a violência sexual e de gênero e garantam que os serviços centrados em sobreviventes para as mulheres sejam bem aproveitados e estejam em bom funcionamento. As campanhas de conscientização devem ser continuadas e táticas direcionadas a homens e meninos em casa devem ser integradas.
  2. Encorajamos as comunidades religiosas a apoiar a solidariedade social por qualquer meio disponível, e para aquelas com recursos adicionais, para que apoiem a conexão com comunidades que estejam em maior risco.
  3. Atores baseados na fé já são importantes provedores de educação e apoio psicossocial. Defendemos, durante esse período, que as práticas sejam adaptadas e recursos designados para garantir que esse trabalho continue.
  4. Defendemos que atores religiosos promovam valores de amor, dignidade e justiça em seu trabalho para enfrentar essa pandemia. É vital que uma abordagem não discriminatória seja exercida em todos os aspectos da resposta à COVID-19.
  5. Defendemos que líderes políticos e religiosos adotem canais de comunicação que atinjam pessoas marginalizadas em nossas comunidades, especialmente mulheres e meninas. Mulheres e meninas podem ter acesso restrito à informação em tempos de crise, portanto, acesso limitado a sistemas de distribuição de alimentos, assistência médica ou acessibilidade a serviços de proteção.

Não permaneceremos calados enquanto as desigualdades de gênero são exacerbadas como resultado desta crise.

 

 

 

 

 

[1] Para mais informação, veja: Resumo de Política da ONU (2020): O Impacto do COVID-19 sobre as mulheres, https://www.unwomen.org/-/media/headquarters/attachments/sections/library/publications/2020/policy-brief-the- impact-of-covid-19-on-women-en.pdf?la=en&vs=5029 [último acesso em 15/04/2020]

[2] Para mais informação, veja: ONU Mulheres (2020) COVID-19 e Fim da Violência Contra Mulheres e Meninas: https://www.unwomen.org/- /media/headquarters/attachments/sections/library/publications/2020/issue-brief-covid-19-and-ending-violence- against-women-and-girls-en.pdf?la=en&vs=5006 [último acesso em 15/04/20]

[3] Estudos da Libéria, Guiné e Serra Leoa mostram que a educação das meninas foi afetada negativamente pela epidemia de Ebola. Depois do surto, menos garotas voltaram para a escola. Para obter mais informações, consulte Malala Fund (2020) Educação de meninas e COVID-19 – o que choques passados podem nos ensinar sobre mitigar o impacto das pandemias, https://malala.org/newsroom/archive/malala-fund-releases-report-girls-education-covid-19 [último acesso em 15/04/20]

 

Decálogo para combater a violência contra as mulheres em tempos de isolamento social

As situações de crise afetam as pessoas de maneiras diferentes e a pandemia causada pela COVID-19 não será diferente.

A violência que frequentemente existe nos laços familiares e, em particular, entre casais atuais ou passados, aumentou a necessidade de garantir a manutenção da vida cotidiana em circunstâncias extraordinárias e a consequente sobrecarga de tarefas de cuidado para meninas, meninos, adolescentes e idosos de famílias que, geralmente, recaem nas mulheres, podem gerar maiores tensões e levar a situações de violência ou agravar a violência existente.

As organizações que trabalham no projeto Fechando Lacunas exortam a comunidade e as instituições de todos os poderes estatais (nacionais, estaduais e municipais) a lembrarem a necessidade de enfrentar esta crise com atenção ao impacto nos papéis sociais de gênero e oferecemos um decálogo de propostas para abordar a violência de gênero, em particular:

1) Distância não é indiferença. Distanciamento social não deve ser sinônimo de solidão ou indiferença. Grupos do WhatsApp, redes sociais, chamadas frequentes podem ser formas de nos fazer sentir próximos e disponíveis para contenção diante do sofrimento e de ajudar a procurar assistência diante da violência.

2) Linhas de atenção com escuta cuidadosa. As linhas telefônicas de atendimento devem aguçar a audição para identificar situações de risco nas chamadas recebidas, considerando que a verdadeira dimensão do perigo em relação à convivência com o agressor pode não ser explicitada.

3) A infância também pode estar em perigo. O impacto do isolamento obrigatório em meninas, meninos e adolescentes é adicionado à violência contra as mulheres e identidades feminizadas nas famílias. As escolas e os professores que mantêm contato no desafio de proporcionar continuidade pedagógica, devem prestar atenção especial às situações de vulnerabilidade e violência que crianças e adolescentes podem denunciar, bem como qualquer situação que ponha em risco sua integridade.

4) A violência não dá folga judicial. O Poder Judiciário de todo o país deve adotar medidas extraordinárias para responder a emergências, facilitando mecanismos de comunicação para as mulheres e aproximando soluções. Algumas jurisdições já tomaram medidas:

– Na cidade de Buenos Aires, a Justiça Nacional com jurisdição em matéria civil para casos de violência familiar estendeu automaticamente todas as medidas cautelares por 60 dias, incluindo medidas de exclusão de casa, proibição de abordagem e contato; o fornecimento de dispositivos de aviso (botão de pânico, tornozeleiras, etc.); ou qualquer outra provisão para proteção de pessoas, incluindo medidas expiradas nos últimos 40 dias. Isso significa que as mulheres que solicitam a ajuda das forças de segurança ou autoridades públicas em situações relacionadas à violação dessas medidas de proteção, devem receber a ajuda solicitada (consulte Resolução da Câmara Nacional de Assuntos Civis, 19 de março de 2020).

– O Supremo Tribunal de Justiça da Província de Buenos Aires tomou uma decisão semelhante, estendendo todas as medidas cautelares ou de proteção decretadas judicialmente (exclusão domiciliar, proibição de abordagem e contato, perímetros de exclusão, concessão de dispositivos de alerta; hospitalizações) até 31 de março de 2020 ou até a data da cessação da medida de isolamento social, preventiva e obrigatória se sua duração for prolongada. Isso será automático para todos os casos, a menos que a justiça decida de outra forma em cada caso específico ou a vítima solicite expressamente uma medida diferente. Portanto, aqueles que procuram a ajuda das forças de segurança ou autoridades públicas em situações relacionadas à violação dessas medidas de proteção devem receber a ajuda solicitada (consulte a Resolução 12/2020 de 20 de março de 2020).

Além disso, o Supremo Tribunal da Província de Buenos Aires autorizou os Tribunais de Família e a Justiça da Paz a receber denúncias de violência familiar ou de gênero nas delegacias de polícia por qualquer meio eletrônico, em telefones oficiais (incluindo WhatsApp) e realizar as notificações que se seguem durante o processo por esses meios eletrônicos, incluindo a realização de audiências.

– Se ainda não o fizeram, todos os poderes judiciais das províncias devem ditar medidas semelhantes para facilitar o acesso à justiça em situações de violência de gênero.

5) As forças de segurança a serviço da justiça e proteção. As Forças de Segurança, como todas as autoridades e instituições estaduais, devem concentrar sua atenção em situações de violência de gênero, priorizando respostas a situações críticas de acordo com instruções judiciais.

6) Os governos provinciais e municipais devem estar mais presentes do que nunca. Os governos locais e, em particular, as áreas de gênero dos governos locais e provinciais devem:

– Estabelecer mecanismos ágeis de comunicação com o Judiciário e as Forças de Segurança para coordenar ações contra situações de violência de gênero.

Divulgar informações sobre espaços de atendimento direto e online, garantindo a disponibilidade de linhas de comunicação e intercâmbio com mulheres em situação de violência.

Fornecer recursos inovadores, como espaços de cuidado on-line em grupo, por meio de vídeo chamadas ou bate-papos coletivos que possam apoiar as mulheres.

Facilitar o atendimento psicológico e o cuidado de mulheres diante de situações críticas de violência, incluindo consultas por telefone ou on-line com profissionais e especialistas.

Garantir a disponibilidade de abrigos contra situações extremas de violência de gênero, onde ficar em casa implica um sério risco para a vítima e/ou seus filhos, revendo os regulamentos que em muitos casos preveem a exclusão de crianças do sexo masculino.

Implementar políticas de apoio e subsídios, especialmente para as mulheres do mercado informal, como vendedoras ambulantes, bem como para as populações mais vulneráveis, como as pessoas trans e travestis ou migrantes que não possuem carteira de identidade argentina e que eles não poderão acessar outras políticas públicas que estão em processo de implementação.

Garantir o acesso aos direitos sexuais e reprodutivos, incluindo o fornecimento de métodos contraceptivos, contracepção hormonal de emergência e acesso ao aborto legal (ILE). Garantir o acesso a serviços sem discriminação ou violência institucional e rapidamente, a fim de reduzir o atendimento de pessoas nos centros de saúde (consulte “Recomendações para o atendimento integral de pessoas com o direito de interromper a gravidez e o acesso a métodos contraceptivos, no contexto da pandemia de coronavírus”, Ministério da Saúde da Província de Buenos Aires). Se você tiver alguma dúvida ou pergunta, ligue para a linha nacional de Saúde Sexual 0800-222-3444.

No Brasil:

7) A violência deve continuar na agenda da mídia. A mídia é responsável por promover a cobertura jornalística da crise causada pela pandemia da COVID-19 na perspectiva de gênero, aprofundando a análise do impacto do isolamento obrigatório nas relações sociais, na sobrecarga de mulheres na comunidade. casas e possíveis encaminhamentos para diferentes manifestações de violência machista. A dimensão da crise econômica e de saúde não deve esconder a violência contra as mulheres e as identidades feminizadas, que já era um problema de enorme magnitude antes do impacto dessa pandemia em nosso país e que pode se aprofundar.

A mídia também tem uma função de serviço: a disseminação de linhas de atendimento disponíveis, como a Linha 144 (atendimento a vítimas de violência de gênero, de âmbito nacional) e outros números habilitados pelo Ministério da Mulher, Gêneros e Diversidade da Nação (011-2771-6463 / 011-2775-9047 / 011-2775-9048), bem como as linhas e recursos disponíveis nas diferentes províncias e localidades.

No Brasil:

8) Acesso à informação para garantir direitos. Isoladamente e em contextos de violência, o acesso à informação é essencial. Mais do que nunca, saber onde procurar ajuda pode ser a diferença entre vida e morte. Não apenas porque reduz a necessidade de visitar instituições em busca de assistência (o que as expõe a maior facilidade de contágio da Covid-19), mas também porque a facilitação de procedimentos reduzirá a incerteza e as tensões, que afetam o bem-estar e a saúde das mulheres, travestis e transexuais lhes permitirá que encontrem respostas o mais rápido possível para se proteger da violência.

9) O cuidado como responsabilidade social coletiva. As tarefas de cuidado e cuidado físico e emocional dos membros da família (principalmente na primeira infância, idosos e pessoas que sofrem de uma doença) incidem principalmente nas mulheres e nas identidades feminizadas. Essa situação extraordinária de isolamento e distanciamento social também tem impacto sobre eles, pois há uma maior sobrecarga de tarefas. Por esse motivo:

As autorizações para poder cumprir as obrigações de cuidado e assistência de idosos ou pessoas com autonomia reduzida devem ser usadas com prudência para cumprir o isolamento obrigatório, mas com um critério de redistribuição das tarefas de cuidado nas famílias.

Os direitos dos trabalhadores domésticos devem ser garantidos o tempo todo, dando continuidade aos seus salários. Quando se trata de trabalhadores não aposentados (muitas vezes migrantes) que, por várias razões, permanecem em casa, deve-se garantir o cuidado à sua saúde e bem-estar psicossocial, por exemplo, facilitando a comunicação com sua família ou amigos, respeitando os horários de suas atividades de trabalho e sem sobrecarregá-los.

10) A Lei Micaela posta em prática. Este é o momento. Agora é a hora em que instituições públicas, funcionárias e funcionários de todo o país devem mostrar que a velocidade com que foi implementado o treinamento obrigatório para prevenir a violência e promover a igualdade de gênero em todos os níveis do Estado, tem resultados concretos.

Estamos diante de uma situação extraordinária de crise, passando por uma pandemia única, como não conhecíamos antes. Avançaremos coletivamente, tomando as recomendações das instituições do Estado e prestando atenção especial à necessidade de garantir condições de segurança para todas as pessoas, desde uma perspectiva feminista e com atenção ao impacto socioeconômico da crise e das medidas adotadas.

Para que a mensagem #QuedateEnCasa não coloque em risco mulheres, travestis e transexuais as políticas públicas para prevenir, punir e erradicar a violência sexista, deve ser considerada uma prioridade.

Texto em espanhol: https://ov.pemsv28.net/caref/caref_bulk_127/ranprv_471c58

Tradução Marilia Schüller

 

Marcello Casal Jr./Agência Brasil

A COVID-19 veio mostrar que somos iguais? Uma análise preliminar sobre o coronavírus em Salvador e os “Lázaros de hoje”

Marcello Casal Jr./Agência Brasil

 

Por Camila Chagas
Advogada. Graduanda em Ciências Sociais (UFBA). Mediadora de Conflitos. Educadora Popular.

Estamos atravessando uma crise mundial que está ceifando a vida de milhares de pessoas. O novo coronavírus, agente causador da COVID-19, é uma doença que atinge o trato respiratório provocando dor de garganta, febre, tosse, coriza e, nos casos mais graves, dificuldades em respirar levando à morte.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde[1], apenas 5% dos infectados desenvolvem a forma mais grave da doença. Os idosos e as pessoas portadoras de doenças crônicas fazem parte do grupo de risco.

Segundo dados do Painel Coronavírus Brasil[2], uma iniciativa lançada pela Rede CoVida em parceria com o Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia) e a Universidade Federal da Bahia, até o dia 30.03.2020, foram registrados 4661 casos confirmados no Brasil, 159 óbitos, com a média de 2.2 casos por 100 mil habitantes.

No mesmo sentido, o Observatório COVID-BR[3], um projeto independente formado por pesquisadores de diversas universidades brasileiras, aponta que o ritmo de contágio do vírus está rápido e se dá de forma exponencial, sendo previstos entre 7568 e 8731 casos em 04.04.2020.

O Coronavírus chegou ao Brasil em 26 de fevereiro de 2020 e, desde então, diversas autoridades buscaram adotar medidas de prevenção e combate a propagação do vírus, com exceção do “Presidente da Necropolítica do Brasil”, que se mantém contrário ao juramento de “manter, defender e cumprir a Constituição”.

Os ensinamentos de Achille Mbembe[4] (filósofo, teórico político, historiador camaronês) dizem muito sobre o momento político atual do Brasil, uma vez que as injustiças sociais recaem de forma desproporcional sobre os grupos vulnerabilizados.

Armas não garantem a segurança da nação, apenas deixa os contornos da letalidade mais precisos, definindo quem pode viver e quem deve morrer. Além da apologia ao uso de armas, o chefe do executivo federal agora vem encampando discursos políticos contrários às recomendações da Organização Mundial da Saúde, incentivando os cidadãos brasileiros a retornarem suas atividades laborais nas ruas.

A vida é o bem jurídico mais importante, sendo direito fundamental inerente à pessoa humana, salvaguardado não apenas pela Lei Maior, mas também pelos tratados internacionais, a exemplo da Declaração Universal dos Direitos Humanos e do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos.

Com a pandemia provocada pelo coronavírus, o direito social à saúde está em risco. Veja o artigo 196 da Constituição Federal de 1988[5]:

Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.

Em que pese seja um direito de “todos”, o acesso à saúde não chega de forma igualitária a todas as pessoas, especialmente aquelas que estão em situação de vulnerabilidade social.

Diante do cenário pandêmico mundial, a instabilidade política causada pelo Presidente da República, faz-se necessário chamar atenção para os impactos do coronavírus para as camadas mais vulneráveis da sociedade, “os Lázaros de hoje”.

Jesus e a parábola do Lázaro

Jesus transmitia suas mensagens através de parábolas. No evangelho de Lucas capítulo 16, versículo de 19 a 31, Ele conta a história de um homem rico e de um mendigo chamado Lázaro. Este se alimentava das migalhas que caíam da mesa do rico e tinha o corpo coberto de chagas que eram lambidas pelos cachorros. Sua vida terrena foi marcada pelo sofrimento.

Em breves linhas, essa parábola coloca em evidência um sujeito que existe na contemporaneidade: as pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Observa-se que a situação de abandono sofrida por Lázaro, que só tinha a companhia dos cães que vinham lamber suas feridas, retrata a situação de exclusão social ainda presente nos dias atuais.

A menção de Lázaro não foi aleatória, pois guarda pertinência com uma expressão que está sendo utilizada por muitas pessoas, a de que “o coronavírus veio mostrar que somos iguais”.

A proposição é valida, se colocada na perspectiva do resgate de valores humanos e sociais, evidenciando o sentimento de humanidade, fortalecendo o princípio constitucional da dignidade da pessoa humana.

Nas entrelinhas, ainda que a saúde seja um direito de todos e dever do Estado, as camadas sociais populares acessam as políticas públicas de forma deficitária.

De fato, o vírus não escolhe quem vai infectar. Mas os infectados sofrerão os efeitos da patologia de forma diferente, ainda que todos tenham direito ao SUS.

A disseminação do Coronavírus em Salvador

No Estado da Bahia, segundo dados do Boletim Epidemiológico COVID-19, elaborado pela Secretaria da Saúde – SESAB[6], até o dia 30 de março de 2020, foram registrados 176 casos confirmados de pacientes com coronavírus. Destes, 117 em Salvador.

De acordo com o Secretário Municipal da Saúde de Salvador[7], a distribuição dos casos por bairros, até o dia 27 de março 2020, foram os seguintes: Pituba (12), Horto Florestal (6), Graça (6), Barra (3), Brotas (6), Caminho das Árvores (4), Canela (1), Costa Azul (1), Itaigara (2), Ondina (1), Massaranduba (1), Paralela (1), Pernambués (1), Rio Vermelho (3), Santa Teresa (1), Armação (1), Alphaville (1), Jardim de Alah (1), Praia do Flamengo (1), São Caetano (1); Stiep (1); Jardim Apipema (1); Cajazeiras (1); Engomadeira (1); Itapuã (1); Caixa D’Água (1); Candeal (2), Cosme de Farias (1), Engenho Velho de Brotas (1), Fazenda Coutos (1), Imbuí (1), Jardim Nova Esperança (1), Sem informação (1).

O volume de casos está concentrado nos bairros com melhores indicadores socioeconômicos. Os registros em bairros periféricos é mais recente. Este fato evidencia os vetores de transmissão na cidade e os afetados.

Ademais, os pesquisadores do Grupo GeoCombate COVID-19 BA, coordenado pela Universidade Federal da Bahia, através de nota técnica[8], publicada no dia 29 de março de 2020, analisa a complexidade socioeconômica de Salvador, fazendo uma análise sistêmica de vulnerabilidade socioeconômica e vulnerabilidade pela letalidade/idade.

Nesta, aponta os bairros mais vulneráveis ao contágio (regiões centrais da área urbana consolidada, subúrbio ferroviário e miolo), onde os índices de pobreza são historicamente mais elevados: Tororó, Vila Canária, Santa Cruz, Pirajá, Nova Constituinte, Santa Luzia, Boa Vista de São Caetano e Sussuarana.

O fluxo de origem e destino da população, que saem das periferias para trabalhar nas áreas “nobres” da cidade (onde há mais casos de contaminação pelo coronavírus) é um dado relevante que precisa ser considerado na definição das políticas públicas de saúde para que estas sejam eficazes neste momento de crise.

Cuidados como lavar as mãos, evitar grandes multidões, manter distanciamento social e, na suspeita de infecção, ficar em quarentena domiciliar perdem o sentido nos bairros periféricos, pois falta infraestrutura urbana, é precário o fornecimento de água, os cômodos são compartilhados e os ambientes possuem pouca ventilação.

A crise provocada pelo coronavírus desafia o modelo político e econômico neoliberal, revelando o papel fundamental do Estado na garantia da saúde, educação e segurança do seu povo.

Não se mata vírus com armas, mas com educação. Este instrumento de transformação social é o único capaz de fornecer subsídios necessários para o desenvolvimento das ciências e da civilidade, garantido a manutenção da vida em sociedade e o cuidado com a casa comum.

[1]https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=6101:covid19&Itemid=875

[2] http://painel.covid19br.org/#

[3] https://covid19br.github.io/

[4] MBEMBE,Achille. Necropolítica. Arte&Ensaios: Revista do ppga/eba/UFRJ. n,32. Dezembo 2016.

[5] http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm

[6] http://www.saude.ba.gov.br/wp-content/uploads/2020/03/boletimEpidemiogicoCovid-19_n%C2%BA04.pdf

[7] https://twitter.com/search?q=leonardoprates4&src=typed_query

[8] http://wp.ibdu.org.br/wp-content/uploads/2020/03/Nota-T%C3%A9cnica-01-Grupo-GeoCombate-COVID19-BA-1.pdf